Blaise Pascal e o pessimismo político

Do ponto de vista de Pascal, é um erro acreditar que os Estados surgiram como uma decorrência espontânea de nossa pretensa sociabilidade — como quer Grotius — ou, ainda, como o fruto de um pacto voluntário e racional celebrado por um grupo de indivíduos – como gostaria Hobbes. Desmistifiquemos a origem dos corpos políticos: os Estados são filhos do combate, da conquista e da consequente subjugação dos vencidos.

Read more

Impacto sistémico e oportunidade estratégica de uma nova crise

Como a história do século XX ilustra – e na Europa de forma evidente –, uma crise nunca tem uma via única de resolução. O futuro reconstrói-se após cada crise, quando novas oportunidades se abrem para a reinvenção com a criatividade e o livre arbítrio que só a humanidade tem para decidir como o quer moldar.

Read more

A Peste no De rerum natura (6.1138-286) de Lucrécio – Parte II

Damos continuidade à tradução e ao comentário do trecho sobre a peste no DRN de Lucrécio, série iniciada no mês passado aqui no Estado da Arte. Nos novos trechos apresentados, o poeta continua a descrever em detalhe os efeitos causados pela peste nos homens. Nossos comentários dão especial atenção aos recursos poéticos utilizados por Lucrécio para trazer uma vívida imagem da peste.

Read more

Ruy Fausto e o sentido da teimosia

Ruy Fausto podia enfrentar com paixão, e às vezes até com raiva, um oponente de direita, um oponente reacionário e mesmo um oponente de esquerda. Mas o adversário mais formidável era mesmo a indiferença. Porque os não-indiferentes pelo menos se arriscam a dizer algo. A indiferença não: a indiferença é silenciosa.

Read more

José Eduardo Faria: Os “casos difíceis” e a instabilidade regulatória

Em fases de crise, a interpretação das regras e princípios jurídicos é sobrecarregada por incertezas e contingências. De que modo interpretar acontecimentos e conflitos que provocam perturbações e rupturas na ordem social, econômica, legal? Como podem os juízes, cuja formação foi concebida para atuar em tempos normais, lidar com o instável e o indeterminado?

Read more

Poesia em casa: Três poemas sobre a memória

Na edição desta semana de Poesia em Casa, trago três poemas que estarão em minha próxima coletânea, chamada O nome da parte que não dorme. Em função do momento em que estamos, o livro espera hora mais propícia para se materializar. Optei por selecionar o material mais recente, afinal lá se vão quase quatro anos de versos guardados.

Read more

“Arredai, mortos de Manaus!”

“Eles existem, eles não estão apenas jogados sobre a minha mesa.” A frase, em que o pronome “eles” indica um número de 428 mortos impresso num boletim de estatística, foi escrita em 1943 por um cronista inquieto e constrangido; bem que poderia ter sido dita por Jair Messias Bolsonaro, em lugar da assombrosa “E daí?”. Mas a decência e a dignidade não costumam visitar com muita frequência o presidente.

Read more