O Cinema em tempo de Natal

por Jeffis Carvalho e Miguel Forlin, editores da seção de Cinema do Estado da Arte

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A narrativa do Natal, como a apreendemos desde a infância, é resultado de um bem urdido roteiro que faz do nascimento uma culminância dos inícios, dos princípios, do começo de uma ideia, de um sentimento, de um compartilhamento. Natal é reunião e comunhão.  É celebração.

Desde sempre um tema recorrente no cinema.

Afinal, o que pode ser mais atraente, envolvente e poderosa do que a história de um nascimento que forjou toda uma civilização?

Mas cinema é arte e quando abordou o Natal — e seus significados —, de forma a traduzir o seu espírito, nunca se prestou a ser mero ilustrador. O Natal no cinema, ao contrário, se tornou clássico, memorável, quando soube capturar suas dimensões humanas por meio de histórias também essencialmente humanas, pungentes, às vezes edificantes, outras reflexivas, quase sempre emocionais.

Do anjo que aparece em uma cidade do interior para resgatar o amor próprio de um fracassado, mostrando-lhe o quanto sua vida tem grandes feitos, ao homem que é levado ao tribunal porque afirma ser Papai Noel; da reunião de família na Noite de Reis que desperta lembranças de um amor perdido a uma jornalista que inventa um personagem para uma crônica de Natal, como se fosse uma notícia real; de um musical com a tradução cinematográfica de uma grande canção natalina a um dos grandes filmes de ação dos anos 1980, no qual o herói quase se explode com um prédio inteiro para ter um Natal em família. No cinema, o Natal é emoção, razão, ação, reflexão, riso, medo, mensagem e até mesmo tiros na hipocrisia.

Ernst Lubitsch, Mitchell Leisen, Frank Capra, Peter Godfrey, Henry Koster, George Seaton, Michael Curtiz, Joe Dante, John Huston, John McTiernan, Éric Rohmer e Abel Ferrara nos dão esses filmes que escolhemos para este especial de Natal do Estado da Arte.

Feliz Natal!

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A Loja da Esquina (The Shop Around The Corner, 1940), de Ernst Lubitsch

Lembra-se Daquela Noite? (Remember The Night, 1940), de Mitchell Leisen

Adorável Vagabundo (Meet John Doe, 1941), de Frank Capra

Indiscrição (Christmas In Connecticut, 1945), de Peter Godfrey

A Felicidade Não se Compra (It’s a Wonderful Life, 1946), de Frank Capra

Um Anjo Caiu do Céu (The Bishop’s Wife, 1947), de Henry Koster

De Ilusão Também se Vive (Miracle On 34th Street, 1947), de George Seaton

Natal Branco (White Christmas, 1954), de Michael Curtiz

Gremlins (Idem, 1984), de Joe Dante

Duro de Matar (Die Hard, 1987), de John McTiernan

Os Vivos e os Mortos (The Dead, 1987), de John Huston

Conto de Inverno (Conte d’Hiver, 1992), de Éric Rohmer

Gangues do Gueto (‘R Xmas, 2001), de Abel Ferrara

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