Seguranças de clubes berlinenses em foco

Berlin Bouncer: Sven Marquardt | © Flare Film GmbH

por Alva Gehrmann

Um deles é Frank Künster, que se mudou para a Alemanha Ocidental no fim dos anos 1980. Ele trabalhou durante muitos anos no King Size Bar e se autointitula “um cuidador excessivo”. O segurança de porta de boate acredita que sua principal tarefa é acompanhar pessoas embriagadas. Seu colega Smiley Baldwin, até a queda do Muro, vigiava como policial militar norte-americano a fronteira para Berlim Oriental. Hoje em dia, ele dirige uma empresa de segurança e trabalha pessoalmente como leão de chácara em casas noturnas. Baldwin compara sua tarefa de selecionar frequentadores na porta dos clubes, deixando-os entrar ou não, com a pintura de um quadro a cada noite. O terceiro é Sven Marquardt: o impiedoso segurança de 57 anos da porta do lendário clube tecno Berghain. Marquardt nasceu na então Berlim Oriental. Na época da queda do Muro, ele era um jovem punk e fotógrafo.

No início dos anos 1990, esses três homens, e mais outros tantos, mergulharam nos excessos da vida noturna da cidade. E encontraram ali, por acaso, trabalho. Naquela época, surgia em Berlim uma nova cultura musical marcada sobretudo pelo tecno. Festas regadas a drogas em saguões vazios de fábricas, bares secretos ou porões em ruínas, dos quais só restava esperar que não desmoronassem, criaram o mito da nova “metrópole da festa”. Künster assume ter uma tendência para a “glorificação retrospectiva” quando fala daquele tempo. E Marquardt também diz se lembrar com prazer daquela época. Segundo ele, a cena dos clubes na cidade era “completamente reunificada (…), porque ajuntava tudo da cidade inteira”. Para os espectadores que viveram na Berlim dos anos 1990, as fotos e sequências de imagens do documentário são uma bela lembrança daqueles tempos fervilhantes.

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A cobertura da Berlinale 2019 é uma parceria entre o Goethe-Institut e o Estado da Arte.