Alexandre, o Grande

Entrevista com Delfim Leão, Henrique Modanez e Thiago Biazotto. Por Marcelo Consentino.

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O que você conquistou aos 30 anos? O filho de Felipe da Macedônia estudou com o maior filósofo de seu tempo – talvez de todos os tempos –; unificou as cidades-estado gregas após séculos de disputas fratricidas; viajou mais de 30 mil quilômetros na aventura possivelmente mais audaciosa da história humana; fundou 70 cidades; elevou-se ao Olimpo dos maiores generais de todos os tempos, como César, Gengis Khan ou Napoleão, mas, diferentemente deles, lutava na linha de frente e jamais perdeu uma batalha; conquistou o mais poderoso império de seu tempo e criou o maior império que a humanidade já vira, estendendo-se dos Balcãs até a Índia; Alexandre até se tornou um deus.

Caracterizá-lo, como fizeram alguns modernos, como um “príncipe da paz” idealizador dos direitos humanos universais e da comunidade das nações unidas é abusar do romantismo ao ponto do delírio. Alexandre, o grande herói, foi também um grande criminoso, que escravizou compatriotas, incinerou cidades, exterminou populações, assassinou amigos por despeito – e, há quem diga, até seu pai por ganância. Aos 32 anos, parecia-se cada vez mais com um déspota oriental cheio de caprichos cruéis e autodestrutivos. A morte prematura, por alguma moléstia ordinária potencializada pelo abuso do álcool, talvez tenha sido uma benção que lhe poupou fracassos e infâmia. E, talvez, por justiça poética, o preço de sua ambição desmedida tenha sido a dissolução instantânea de seu império.

Dizem que Alexandre chorou ao pensar nos mundos que nunca conquistaria. Mas seu legado ignora fronteiras de tempo e espaço. Seu sonho de fundir num império multicultural e multilinguístico as duas superpotências de seu tempo, a Grécia, no Ocidente, e a Pérsia, no Oriente, foi tão improvável e espetacular quanto fundir os Estados Unidos à União Soviética nos tempos da Guerra Fria ou à China hoje. Como a carreira intelectual de seu mestre Aristóteles, sua carreira militar foi feita de conquistas e sínteses. As conquistas territoriais que ele consumou criaram o espaço para o Império Romano; e as sínteses espirituais que ele inaugurou gestaram o tempo da Cristandade. 

Convidados

Delfim Leão: professor de Estudos Clássicos da Universidade de Coimbra. 

Henrique Modanez: professor de história antiga da Universidade de Brasília.

Thiago Biazotto: pesquisador de pós-doutorado em história helenística da Universidade Estadual de Campinas.

Referências

  • Os Heróis. De Alexandre o Grande e Júlio Cesar a Churchill e João Paulo II (Heroes), Paul Johnson. 
  • “Alexandre, o Grande”, em História da Civilização. Vol. II. A Vida na Grécia (The Story of Civilization), de Will Durant.
  • Alexandre, o Grande (Alexander the Great), de T.R. Martin e C.W. Blackwell.
  • A Extraordinária História de Alexandre o Grande (Alexander the Great), de Nigel Rogers. 
  • Alexandre, o Grande e o período helenístico (Alexander the Great), de Peter Green.
  • Alexandre, o Grande (Geschichte Alexanders des Grossen), de Johann Gustav Droysen.
  • Alexandre o Grande (Alexandre le Grand), de Pierre Briant.
  • “Alexandre, o Grande”, episódio do podcast História em Meia Hora. 
  • “Alexander the Great”, episódio do programa In Our Time, da Radio BBC 4.
  • “Alexander the Great”, episódio do podcast The Rest Is History.
  • “Alexander the Great”, episódio do podcast How To Take Over the World.

Ilustração: Estátua e busto de Alexandre, o Grande, no Museu Arqueológico de Istambul.

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