A África e a Filosofia: múltiplas vertentes
É preciso lembrar que a homogeneidade cultural que se atribui à África é uma noção ilusória.
É preciso lembrar que a homogeneidade cultural que se atribui à África é uma noção ilusória.
O século XXI precisa despertar do sono profundo que permitiu a contaminação da História pelas teorias racistas.
Ao contrário do que imaginamos, a história da escrita na África estende suas raízes até tempos bem mais remotos.
Pode a destreza estética na literatura estar a serviço de estereótipos raciais? Como lidar com as críticas e com o valor da literatura assim produzida? Adriano Migliavacca analisa a literatura de Chinua Achebe em busca de algumas respostas.
por Adriano Moraes Migliavacca
"A vida era a mistura de tudo e de todos, dos que foram, dos que estavam sendo e dos que viriam a ser”. O leitor talvez se pense diante de uma frase tomada de algum escrito do filósofo irlandês Edmund Burke. No entanto, a fonte dessas palavras está significativamente mais próxima de nós,
É inegável a influência da moderna poesia europeia na moderna poesia africana. Mas esta última se nutre também das tradições orais.
Na dinâmica do Ifá, declarado Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO, temos no centro as informações sobre a vida do consulente; ao redor, os eventos e objetos do dia-a-dia; acima o deus do acaso que observa a tudo.
O crítico nigeriano Abiola Irele, falecido recentemente, desenvolveu uma sofisticada teoria sobre o tema da oralidade: em vez de “literatura africana”, Irele chama de “imaginação africana” o âmbito literário estudado por ele.
A realidade linguística da África é de tal forma diversa – como, de resto, também o é a realidade cultural – que não há, nos dias de hoje, um idioma que possa servir de língua franca para todo o continente. Diante dessa realidade, opiniões e propostas diversas se apresentam.