Trezentos anos esta noite

Stockhausen, Bach e Beethoven marcam a abertura da Temporada 2026 da Osesp.

Prólogo – a revolução inesperada

No verão de 1979, quando eu tenho 20 anos e começo o segundo ano de Jornalismo na PUC de São Paulo, passo os fins de semana longe da minha casa. No que se pode caracterizar como uma república estudantil, sem sê-la, convivo com um grupo de quatro amigos, também universitários, em uma pequena chácara nos arredores de Alphaville, o então novo bairro de Barueri, um condomínio que se vende como refúgio para quem deseja fugir do caos da capital paulista. De certa forma, para mim é também a possibilidade de fuga, do trabalho, da casa da família e, até mesmo, da universidade. Nos intitulamos os hippies de fim de semana.

Ali, em meio a muita música, cerveja, danças, namoricos, debatemos de tudo, da possibilidade da revolução e da luta contra a ditadura; dos novos discos de Chico, Caetano, Gil, Elis, Gal e Bethânia à poesia de Drummond, João Cabral de Melo Neto e do concretismo de Pignatari e dos irmãos Campos. Talvez tenha sido o professor Flavio Di Giorgi, um dos melhores que tive na vida, que numa aula na PUC me fala de um compositor alemão de vanguarda, que produz uma música acústica com princípios da música eletrônica, serialismo e que exige muito dos nossos ouvidos. A minha curiosidade me leva a pesquisar e encontrar um LP de Karlheinz Stockhausen. Mas não sei dizer como o consegui.

No primeiro fim de semana com a nova aquisição, ali na chácara, em meio a muito verde e uma construção com ares de inacabada, descubro que, se não podemos separar conteúdo e forma, com certeza damos ênfase à revolução pelo primeiro, em detrimento do segundo. A música de Stockhausen nos mostra que sonoramente tudo é possível e, mais, tudo ainda está por ser feito. 

Se a minha memória não me trai, o álbum adquirido e ouvido à quase saturação é Telemusik Mixtur, de 1969. A estranheza inicial; a constatação de que temos que abrir a mente, mais do que a audição; que a compreensão é difícil, mas possível em alguma medida; e que menos pelo discurso o que descobrimos é mesmo uma revolução inesperada. Da forma, antes de qualquer outra. E isso muda tudo. 

A música de Stockhausen chega esta semana à Sala São Paulo, na abertura da Temporada 2026 da Osesp — Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, com concertos nos dias 5 e 6 de março, às 20h, no dia 7, às 16h30, e no dia 8, às 11h. A música desafiadora de Stockhausen é Gruppen (Grupos), de 1957, que será tocada entre as composições de dois gênios absolutos da música ocidental: Johann Sebastian Bach e Ludwig van Beethoven, tão revolucionários quanto o Karlheinz. De Bach, a Fantasia e Fuga em dó menor, com transcrição de Heitor Villa-Lobos; e a sempre monumental e emblemática Nona Sinfonia em ré menor, “Coral”, de Beethoven.

Três alemães. Três obras que, na definição de Otto Maria Carpeaux, podem ser considerados três documentos humanos. 

Bach é a sonoridade do auge do Iluminismo; a música de Beethoven consagra o início do Romantismo e a era dos ideais revolucionários; a estética de ruptura de Stockhausen é legítimo sintoma da aurora tecnológica da segunda metade do século 20. Separados por pouco mais de um século cada, eles capturam o espírito do tempo na trajetória do mundo moderno. Podemos arriscar dizer que os três alemães contribuem para a composição da trilha da modernidade. 

De 1723 viajamos até 1957 e voltamos a 1824. Nesses lapsos temporais nos encontramos com a Osesp, na Sala São Paulo, em 2026. 

300 anos de música. Esta noite. 

Corta. 

O relógio a minha frente marca 10h da manhã de um sábado de 1974. Estou sentado ao piano da professora Dionísia. Tenho 15 anos, já trabalho e estou ali para aprender a tocar um instrumento que há duas gerações está na minha família. Ela insiste que devo tocar o exercício do Caderno Czerni, mas lendo a partitura – como tenho uma memória um tanto prodigiosa, aprendo a tocar e não olho a partitura. Levo uma sonora bronca. Irritada, a mestre muda o caderno e me vejo diante de duas páginas em que se lê Bach – O Cravo Bem Temperado. Ela pede que eu me afaste, começa a tocar e me diz com aquele tom professoral “meu querido garoto Jeffis, para tocar isso, você precisa se habituar a ler a escrita musical. Ou nunca tocará direito”. Dito e feito, hoje eu não toco. 

Para mim, Bach significa, até ali, música de órgão, não de piano. Ela me corrige e segue tocando. Essa lembrança me vem à mente quando leio o livro da Temporada Osesp 2026 e vejo que a orquestra vai tocar a Fantasia e Fuga em dó menor, KWV 537 de Bach. Fico na dúvida se já ouvi, mas logo a dissipo porque acho que a conheço dos 3 encontros sobre Bach, do maestro Leandro Oliveira. 

Só sei, no momento, que Bach sempre me remete a um mundo de possibilidades quase matemáticas em sua elaboração da música. Provavelmente porque está em sintonia com o espírito de uma época – os anos 20 do século 18, quando o ser humano pensa, talvez, que pode entender o que se passa no mundo de forma diferente. Pelo menos no Ocidente.

O europeu de 1723 está começando a acreditar que pode compreender o mundo pela razão. Mas ainda não ousa mudar, pela força, suas estruturas políticas. Será a Fantasia e Fuga em dó menor uma possível melodia dessa compreensão?

Um poderoso lamento. Uma Fuga vitoriosa.

Para a Bach Society, da Holanda, a obra é um poderoso lamento, uma fantasia melancólica como uma fuga vitoriosa: “A Fantasia que precede a Fuga em Dó menor é um lamento puro e sangrento. As notas rarefeitas, flutuando no alto, parecem lamentar alguma perda trágica. A sensação de desolação é ainda reforçada pelo zumbido profundo e desanimado das notas do órgão ao longe”. E o tom de lamento não diminui com a introdução do segundo tema, pois agora as notas começam a descer ainda mais, “ofegantes, aos pares”. Mesmo após uma extensa repetição dos dois temas, a tristeza ainda não acabou, pois a obra se encerra com uma pergunta.

Parece difícil imaginar, como indica a Bach Society, um contraste maior com a fuga que se segue. Afinal, ainda imerso no tom melancólico da fantasia, mergulha-se subitamente num primeiro tema extremamente enérgico da fuga. “Trata-se de uma música poderosa, o que é reafirmado pelo segundo tema. As notas são comprimidas cada vez mais pelo aumento dos cromatismos e remetem a uma multidão febrilmente à procura da saída.” Trata-se de “uma espécie de bis”, uma vez que a abertura retorna quase literalmente. Ou seja, Bach parece finalmente optar por uma ação vigorosa – “embora termine num tom menor”. 

A Osesp vai executar a transcrição para orquestra feita por Heitor Villa-Lobos, tão pouco tocada, que a muitos vai soar como uma estreia. A transcrição mais conhecida e executada da Fantasia e Fuga em Dó menor de Bach , é a orquestração de Sir Edward Elgar para orquestra completa, concluída entre 1921 e 1922 e publicada como sua Op. 86 – ou seja, 200 anos depois de ser composta por Bach. 

Corta. 

Depois da aventura sonora de 1979 com a descoberta da música desconcertante de Stockhausen, mais de 35 anos se passam até que, por indicação do saudoso amigo Marcelo Bronstein, encontro no YouTube um documentário em 7 episódios: Leaving Home: Orchestral Music in the 20th Century. A série é apresentada e conduzia pelo maestro Simon Rattle, à frente da City of Birmingham Symphony Orchestra. Nela, é explorada a evolução da música orquestral do século 20. Para isso, Rattle abrange compositores desde Mahler até Stockhausen e outras figuras contemporâneas que moldam a sonoridade de um século que procura o afastamento da tonalidade tradicional. 

No penúltimo episódio, retomo o contato com o Stockhausen dos meus anos iniciais de faculdade e da vivência com a turma de fim de semana. Descubro, desconcertado, a impressionante Gruppen. 

O mundo partido ao meio e a música dos elétrons

Mais um século se passa desde Beethoven. O Romantismo encontra seu improvável destino nas duas guerras mundiais e no processo que culmina com a bomba atômica. Surge um mundo que está agora dividido em dois blocos que se encaram com dedos sobre o gatilho nuclear.

1957. Em outubro, a União Soviética lança o Sputnik — é o primeiro satélite artificial da história. Com seu beep transmitido pelo rádio, o que temos é o som de um triunfo tecnológico e também um grito da guerra, que agora é fria.

Terá sido mera coincidência com o Sputnik? O fato é que no mesmo outono em que um satélite soviético orbita a Terra e o mundo olha para o céu desorientado, Karlheinz Stockhausen está em Colônia criando uma música que vai orbitar o ouvinte. Uma música que se recusa a ter um centro fixo; que serializa não apenas as alturas e os ritmos, mas o próprio espaço e o tempo musical. Podemos arriscar a conclusão: o satélite e a partitura dizem a mesma coisa de maneiras radicalmente distintas. Afinal, o que se vê é que os velhos eixos de referência não existem mais. 

No seu documentário sobre a música do século 20, Sir Simon Rattle tenta definir o que levou Stockhausen a conceber Gruppen. Para o maestro inglês, o compositor quer, ou pretende, levar as possibilidade da complexidade musical à sua conclusão lógica, combinando, assim, ritmos e estruturas. Ao fazer isso, percebe que nenhum maestro, nenhum ser humano consegue coordenar a peça com uma única orquestra. Daí a solução originalíssima de Stockhausen: dividir a orquestra em três grupos (gruppen) de cerca de 40 músicos, cada um com seu próprio maestro, colocando-os a uma certa distância uns dos outros. 

“Há uma sensação de que você está separado, como se estivesse surfando no topo das ondas, mas de alguma forma conectado ao todo, como são as ondas com o mar. Ou talvez seja como um daqueles móbiles de Alexander Calder, que você contempla e no qual todas as peças são independentes, mas se juntam — quando uma se move, a outra se move também”, destaca Rattle.

Para exemplificar, o regente e âncora explica que uma das invenções mais emocionantes de Stockhausen está na seção baseada nos metais, onde os trompetes em diferentes orquestras começam a “gaguejar e cuspir com raiva, como se estivessem a participar de uma gigantesca discussão à distância “. Isso vai culminar num único acorde, atirado de um lado para o outro do palco, fazendo com que o público se sinta “apanhado no brilho de três holofotes”.

O maestro diz com todas as letras que gosta do jeito que tudo aquilo soa, que ama a audácia de todo o conceito. “É uma ideia incrível, quase de teatro musical. Como Finnegans Wake, de James Joyce”, diz, referindo-se à busca de uma multiplicidade de significados. Nesse sentido, o som literalmente se move pelo espaço, criando trajetórias acústicas que dialogam, se sobrepõem e se confrontam. O ouvinte, posicionado mais ao centro deste triângulo sonoro, pode experimentar uma música verdadeiramente tridimensional.

“É hora de brincar com a imaginação, lutar contra as convenções. Quer fazer invenções emocionantes? É uma forma de inspiração extraordinária”, conclui Rattle. 

A obra foi composta entre 1955 e 1957 e estreou em Colônia em março de 1958 — mas sua gestação e conclusão pertencem inteiramente àquele ano tenso e efervescente.

Gruppen também dialoga com a fratura política do momento de forma quase inconsciente. Três orquestras que coexistem sem se fundir, negociando autonomia e convergência — há nessa estrutura algo que ressoa como um mundo partido entre blocos que precisam, apesar de tudo, habitar o mesmo espaço. A Guerra Fria não é apenas geopolítica; ela é também uma crise de escuta. E Stockhausen, talvez sem querer, compõe uma música que obriga o ouvinte a aprender a escutar em múltiplas direções ao mesmo tempo, sem abrir mão de nenhuma delas.

Corta.

O adolescente trabalha e, mais uma vez, abandona o piano. Na fase típica da confusão, sinto-me muitas vezes um tanto perdido naquele mundo desafiador dos anos 1970. A responsabilidade colide com a vontade de viver sem compromisso. Muitas vezes, no fim de semana, tranco-me no quarto que divido com meus três irmãos e os expulso, pelo menos por algum tempo durante o dia. Ligo o aparelho de som que comprei com meu salário e a ajuda do Jefferson, o irmão mais velho. Na agulha rodam dois LPs, ambos com Sir Adrian Boult regendo a Philharmonic Promenade Orchestra of London. Cada disco traz uma sinfonia de Beethoven: a Quinta e a Sexta. Sim, o destino bate à porta e a música pode traduzir a natureza com seus verdes campos e seus pastores.

Hoje penso que se assisto na época Laranja Mecânica, de Stanley Kubrick, filme de 1973, baseado no romance distópico de Anthony Burgess, eu talvez me sentisse angustiado com a possibilidade de me identificar com Alex, o perturbado jovem obcecado pela música de Ludwig e sua devoção à Nona Sinfonia. O fato é que, sim, lá por 1976 eu descubro a última sinfonia de Beethoven ao adquirir a bela leitura de Seiji Ozawa conduzindo a New Philharmonia Orchestra, em registro ao vivo de 1974, lançado pela Philips. 

Beethoven, o primeiro romântico?

O filósofo e historiador Isaiah Berlin chamou de As Raízes do Romantismo o ciclo de conferências que deu em 1965 e publicadas postumamente em 1999. Nelas, traça uma genealogia intelectual do movimento romântico e analisa seu impacto profundo e ambíguo sobre a cultura ocidental.

A tese central de Berlin é que o Romantismo representa a maior transformação na consciência ocidental dos últimos duzentos anos. Trata-se de uma reviravolta que abalou os fundamentos do Iluminismo e cujos efeitos ainda se fazem sentir.

Enquanto os iluministas partilhavam do pressuposto de que existe uma natureza humana universal, que as questões morais e políticas têm respostas corretas acessíveis pela razão, e que essas respostas são compatíveis entre si, o Romantismo rompe com ele de modo radical.

Para os românticos, o coração do movimento está na glorificação da vontade, do esforço, da luta interior — não como meio para um fim, mas como valor em si mesmo. A perfeição estática é rejeitada em favor do anseio infinito (Sehnsucht). O herói romântico não é quem alcança o objetivo, mas quem busca apaixonadamente, mesmo em fracasso. Nisso Berlin vê uma inversão fundamental: a virtude deixa de habitar nos resultados e passa a residir na intensidade e autenticidade do impulso.

Nada ilustra melhor o ethos romântico descrito por Berlin do que a imagem de Beethoven compondo surdo. A luta contra o destino, a recusa à resignação, o esforço titânico como valor em si — tudo isso está tematizado explicitamente em sua música. Ao mesmo tempo ele personifica a ideia do artista que o Romantismo alçou à condição do visionário que acessa verdades inacessíveis ao homem comum. Beethoven foi o primeiro compositor a encarnar plenamente esse papel na consciência pública.

Mas o que realmente torna Beethoven tão fascinante à luz de Berlin é que ele vive uma grande contradição em vez de resolvê-la. Ele carrega a crença iluminista em valores universais e na razão como ordem subjacente ao mundo; e simultaneamente o impulso romântico de expressar a singularidade absoluta do eu, de valorizar a luta acima do repouso, de forçar a experiência além dos limites da forma herdada. 

Sob a influência de Berlin, arrisco dizer que Beethoven é o artista que sentiu mais agudamente a ruptura entre o mundo iluminista de sua juventude, que vai se dissolvendo, e o mundo romântico que está em seu nascedouro. Mais, essa ruptura é a sua música, menos o seu tema do que sua própria substância. 

Ó, milhões

Em sua monumental biografia Beethoven – angústia e triunfo, Jan Swafford nos conta que a Nona Sinfonia em Ré Menor, op. 125 “levou pelo menos uma década para se condensar das primeiras imagens mentais, durante anos angustiantes e divagantes, ao conceito que acabou se tornando: uma sinfonia monumental que culmina em um final com a inclusão sem precedentes de um coro e solistas cantando versos da Ode à Alegria, de Schiller”. Desse modo, ao longo do tempo de maturação, a música foi tomando forma para traçar a mesma jornada, um começo etéreo através da tragédia, culminando com o triunfo.

Já perdi a conta de quantas vezes ouvi a Nona de Beethoven ao vivo, das minhas primeiras audições no Teatro Municipal de São Paulo com a Osesp sob a regência de Eleazar de Carvalho até as muitas conduções nos últimos 25 anos de vários maestros à frente da orquestra na Sala São Paulo. 

A Nona começa em “névoa e incerteza. O som do início é como matéria emergindo do vazio e lentamente enchendo o espaço e nunca ouvido antes”, escreve Swafford. E vai seguir aos poucos até se tornar uma proclamação gigantesca. Para o biógrafo, trata-se de uma imagem da própria criação — de mundos e mesmo da sinfonia. Um fluxo musical contínuo até a coda, para finalizar esse primeiro movimento de forma abrupta. Para ele, mostra-se a desconstrução do ideal heroico. É o desespero pela desilusão dos ideais revolucionários, que foram aclamados na Eroica.

No Scherzo que vem a seguir, temos um moto perpétuo “vivaz, traquina, infatigável”. Não à toa, em Laranja Mecânica, de Kubrick, é o scherzo o movimento da Nona mais recorrente na trilha do filme, pontuando e comentando a trajetória de Alex — da violência à punição; e desta de novo ao possível comportamento violentamente humano. 

Depois do frenético Scherzo, o terceiro movimento é um Adagio molto contabile, que se apresenta lentamente, um trecho de paz sublime e devaneio. Para Swafford, sua textura é íntima como de um quarteto de cordas. Afinal, nunca houve “uma evocação de tranquilidade e paz arcadiana mais bela, mais profunda, transformada em música de frescor e perfeição de gesto e passo incomparáveis”. Durante o movimento temos apenas duas interrupções a essa quietude, com fanfarras metálicas.

O que se segue é um grito lacerante. 

Ato contínuo, mais do que ouvir, sentimos o que pode a música em nome da alegria — mas, claro, uma alegria que nunca se derrama, ainda se insinua até finalmente nos brindar com o seu propósito maior. Ó, milhões, bradarão cantores e coro, que nos trazem a Ode à Alegria de Schiller. 

E assim, de recitativo em recitativo, sem Beethoven nunca abandonar a lógica da música, vivenciamos um hino de louvor não só a uma desejada humanidade, mas, principalmente, à própria condição do humano. Chegamos ao fim da trajetória. As últimas palavras da Nona são  “mais belo fulgor divino”, o que para Swafford completa “o círculo do humano e do divino, mas firmemente plantadas na Terra”. 

Corta. 

5, 6 e 7 de Março de 2026. Sala São Paulo. 

Quem nela estiver vai ouvir, ver e sentir algo inédito que pode ser traduzido, neste momento, e de forma até prosaica, na própria logística do concerto. Os habituais intervalos de 20 terão cerca  de 40 minutos. Porque Gruppen, de Stockhausen, exige a montagem de três “palcos” para suas três orquestras. Finda a primeira parte, será preciso remontar palco e plateia para a Nona

Como nem o próprio autor da mais emblemática das sinfonias poderia imaginar, para ele, Beethoven, tudo se une. E serão bem mais de 40 minutos — será o tempo para sairmos da disrupção de 1957 e voltar à  revolução de 1824, ainda sob os ecos  iniciais de 1723. 

Trezentos anos esta noite. 


Jeffis Carvalho é editor do Estado do Cinema. Jornalista, roteirista, pesquisador de cinema e consultor de comunicação, é também membro do Conselho Consultivo da Fundação OSESP.

COMPARTILHE: