Pandemia e a linguagem das virtudes
Para além de todas as mudanças, a pandemia nos trouxe uma outra novidade: a linguagem das virtudes. Agora, estamos sendo demandados a todo momento a sermos virtuosos.
Para além de todas as mudanças, a pandemia nos trouxe uma outra novidade: a linguagem das virtudes. Agora, estamos sendo demandados a todo momento a sermos virtuosos.
Enquanto cidadãos, somente seremos livres na medida em que pudermos nos realizar politicamente, desenvolvendo-nos como nação e sendo capazes de harmonizar perfeitamente a miríade de interesses privados com o interesse público.
A proposta de G.A. Cohen é que políticas públicas devem passar em um teste "interpessoal”: para que sejam válidas, devem reter sua moralidade independentemente de quem as enuncie.
A guerra cultural bolsonarista, que se beneficia de uma técnica discursiva, a retórica do ódio, ensinada nas últimas décadas por Olavo de Carvalho, conduzirá inexoravelmente o país ao caos social, à paralisia da administração pública e ao déficit cognitivo definidor do analfabetismo ideológico.
Será que os humanos são capazes de satisfazer-se com esperanças sensatas e um olhar atento ao presente, ou somos uma espécie que teima e precisa crer em ilusões?
Hoje, estamos mais do que aptos, como estava Donoso Cortés em Paris, no distante 1848, para compreender os limites do legalismo liberal.
Mesmo que a prova de Tomás fosse forte, seria ainda preciso ver se não há outras provas mais fortes contra a existência de Deus. E vice-versa: mesmo que as objecções contra o raciocínio de Tomás sejam realmente fatais, como parecem, é preciso ainda ver se haverá outros argumentos cosmológicos que lhes sejam imunes.
O (já) complexo problema da sorte moral, sobretudo (e ainda mais) quando pensamos na justificação da punição.

Emoções podem salvar, literalmente, nossas vidas.