Sobre santuários e matadouros

“Precisamos transcender o assembleísmo em que fomos mergulhados, retornando às nossas tradições de diálogo que sempre permitiram ao Cinema Brasileiro renascer apesar de todas obviedades e fatores limitantes. Sempre vivemos uma corrida de cachorro atrás do próprio rabo. Legislações retardatárias e anacrônicas que a evolução tecnológica torna letra morta, principalmente porque nossa tradição ibérica sempre coloca o repressivo antes do propositivo.”

Um ensaio de Lúcio Aguiar sobre nosso processo de deculturação, materializado na paralisação da Cinemateca e no engessamento de todo o sistema de produção audiovisual pela inação da ANCINE.

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À PALA DE WALSH: Uma botelha lançada ao mar

Por Ricardo Vieira Lisboa, um ensaio que inaugura a parceria do Estado da Arte com À Pala de Walsh, de Portugal. Uma estreia que trata de Diário de Sintra, de Glauber Rocha. Afinal, “Rocha é o nome cimeiro do Cinema Novo Brasileiro, mas a sua ligação com Portugal é tão cheia de boas-esperanças e utopias que convocá-lo para o primeiro tomo desta parceria, mesmo que apenas de forma espectral, só poderia ser auspicioso.”

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Entre fotos e nomes: Uma Mulher Casada, de Jean-Luc Godard

“Apesar de menos conhecido do que outros de seus filmes da época, Uma Mulher Casada (1964) é uma das grandes obras de Jean-Luc Godard (a fórmula soa vazia: é impossível escolher). Retoma e subverte ironicamente essa fórmula do triângulo amoroso, relendo-a na Paris do iê-iê-iê, de Françoise Hardy e da nouvelle vague.” Entre fotos e nomes, um ensaio de Rodrigo de Lemos sobre Uma Mulher Casada, de Godard.

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Estado do Cinema: Entrevista com Adrian Martin

Esta conversa com o australiano Adrian Martin, um dos principais críticos de cinema atualmente, cuja obra seminal se divide em livros, aulas, ensaios e palestras, inaugura o Estado do Cinema, este novo espaço de cinema no Estado da Arte. Nele vamos publicar entrevistas com alguns dos principais nomes do cenário cinematográfico mundial.

No melhor espírito do que tem marcado a história do Estado da Arte, nosso objetivo é disponibilizar conteúdos para um público mais abrangente, interessado e ávido por informação (e formação) de qualidade. Este espaço será um instrumento disponível para a permanente formação e aprimoramento do público espectador: um disseminador de repertórios.

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O naufrágio dos fotogramas e o manto de plumas dos Mundurukus

“No Brasil, tão deficiente de sua memória, forçoso é despertar.”

Em tempos de esquecimento obrigatório imposto à Cinemateca, uma tragédia cultural tão grande exige coragem proporcional para enfrentá-lo. Com exclusividade ao Estado da Arte, com a devida grandeza, o cineasta Júlio Bressane insiste na memória, na preservação de nosso patrimônio — contra a corrente de nosso naufrágio.

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Sérgio Sá Leitão e Miguel Forlin: um bate-papo sobre a 1ª Mostra Internacional de Cinema Virtual de São Paulo

De 01 a 30 de setembro, na plataforma Cultura em Casa, acontece a 1ª Mostra Internacional de Cinema Virtual de São Paulo, uma iniciativa da Secretaria de Cultura e Economia Criativa e da Secretaria de Relações Internacionais. Durante um mês, o público pode assistir, gratuitamente e sem sair de casa, a produções dos mais diversos países e gêneros. Na última sexta-feira, Sérgio Sá Leitão, Secretário de Cultura e Economia Criativa de São Paulo, e Miguel Forlin, coeditor de Cinema do Estado da Arte, conversaram sobre esse projeto. No bate-papo, gravado para o podcast do Governo do Estado de São Paulo, foram abordadas as principais características do evento e a sua importância em tempos de pandemia. Confira a conversa e todos os devidos links no post.

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FOCO: Morrer e viver em Las Vegas – Showgirls, de Paul Verhoeven

“Na estrada para Las Vegas, até o homem que dá carona tem o penteado de Elvis Presley. Será inevitável aos que pisam na cidade acabarem assumindo seus traços, tornando-se parecidos com ela? Em Showgirls (1995), testemunhamos tal processo de metamorfose acontecer com a protagonista. Desprovida de quaisquer raízes, sem amigos nem família, sempre evasiva quando lhe perguntam de onde vem, a aspirante a dançarina Nomi Malone aterrissa em Las Vegas como uma tela em branco à espera de ser utilizada.”

Por Matheus Cartaxo, um ensaio sobre Showgirls, de Paul Verhoeven — sobre morrer e viver em Las Vegas. Uma parceria com a FOCO – Revista de Cinema.

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Viagem a Tóquio: uma leitura heideggeriana de Encontros e Desencontros

“A bem da verdade, a viagem que Bob e Charlotte empreendem à capital japonesa pode, ela mesma, ser interpretada como uma metáfora dramática do que acontece quando nos desviamos da decadência do cotidiano, de um modo de ser inautêntico: quando estamos angustiados, vamos para Tóquio — aquele lugar diametralmente oposto ao que vivemos e onde somos, em que nada é familiar e no qual a palavra não é útil.” Um ensaio de Juliana Fonseca Pontes sobre Encontros e Desencontros.

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Pandemia, isolamento e o poder da arte de ficção

“Quantas histórias de amor não acabaram tragicamente por causa do coronavírus? Quantos aspectos de A Peste, do Camus, não são vistos diariamente no nosso comportamento e no comportamento alheio? Como não entender completamente o tédio e o pavor que o isolamento origina nos personagens bergmanianos? Ou as tensões que o convívio fechado entre diferentes pessoas proporciona? E como não enxergar, de um jeito apocalíptico, a realidade em que nos vemos inseridos, com as incontáveis mortes, a crise econômica, os milhões de desempregados e as exigências da subsistência batendo à porta?
Algumas dessas histórias foram contadas por artistas que as viveram. O mesmo pode ser dito de pessoas que, em determinado momento histórico, as leram e viram. Hoje, podemos dizer que também fazemos parte desse grupo.”

Pandemia, isolamento e o poder da arte de ficção. Por Miguel Forlin.

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PERSONA CINEMA: O paraíso perdido de James Gray

“Depois de explorar as ruas, as noites, os condomínios, os trens, os cheiros e as temperaturas de Nova York nos seus cinco primeiros longas  —  Fuga para Odessa (1994), Caminho sem volta (2000), Os donos da noite (2007), Amantes (2008) e Era uma vez em Nova York (2013) —, James Gray se afasta de casa, se afasta muito, nos seus dois filmes mais recentes: transita entre a Inglaterra do início do século XX e a selva amazônica em Z: A Cidade Perdida (2016) e viaja até os confins do Sistema Solar em Ad Astra (2019). Abre-se, nesse movimento para fora, uma janela de infinita perspectiva  —  de fome metafísica  — , representada, sobretudo, pelas insaciáveis ambições do explorador arqueológico Percy Fawcett e do explorador espacial McBride (o pai), ambos em busca de uma realidade absoluta que transcenda as contingências da vida e que justifique uma jornada que nunca termina.”

O paraíso perdido de James Gray, por Lucas Petry Bender. Uma parceria do Estado da Arte com a Persona Cinema.

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‘La folie’, o acaso e o divino em Éric Rohmer

“Quase como uma teologia, mais do que uma filosofia, as histórias do amor em Rohmer se rebobinam entre personagens, em geral jovens estagnados com algum tipo de insatisfação e que buscam, pela linguagem e pelo arroubo, uma saída para seus dramas íntimos, tantas vezes temporários e até efêmeros. Poderíamos chamar de “dramas existenciais”, mas o termo soa inadequado para Rohmer. A hipótese aqui levantada é a de que o arroubo (“la folie”) responde a desolações cotidianas — de ordem amorosa ou não — ainda que ao decorrer da história tudo se desmanche, que as experiências outrora prazerosas — que criaram alguma expectativa e uma euforia — deixem de fazer sentido porque já não mais pertencem à maior de todas as verdades: a do acaso, que, como uma entidade divina ou sobrenatural, intervém — algo ao mesmo tempo tirado e subvertido da tragédia antiga.”

‘La folie’, o acaso e o divino em Éric Rohmer. Por Thiago Blumenthal.

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FOCO: Mitos de origem e destino III – o mito da encenação

“Expressar um pensamento por meio do cinema seria possível com a escolha de componentes visuais que, isolados, seriam reais em si, mas cujo fim último seria estabelecer ligações com outros componentes; ligações abstratas, porque inexistentes nas imagens. O mito da encenação propõe uma inversão crucial. Seus defensores acreditam poder abstrair a realidade cênica sem o recurso da montagem; acreditam que essa realidade possa de uma só vez ser abstraída e reforçada em sua concretude. Rejeitar a montagem assertiva, nesse contexto, significa rejeitar a abstração como definida tradicionalmente. Decorre dessa postura uma negação da “linguagem”, mas uma negação que se volta unicamente à linguagem que se exibe enquanto tal.”

Em parceria com a FOCO – Revista de Cinema, um ensaio de Lucas Baptista sobre o mito da encenação.

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Imagens que nos revelam

Em nosso último editorial, divulgado no dia 11/07/2020, informamos que publicaríamos um artigo dedicado à situação atual da Cinemateca Brasileira. No entanto, para fazê-lo, achamos pertinente convidar alguém que se encontra na linha de frente da batalha, alguém que está lutando diretamente para que essa instituição histórica e crucial não continue sendo vítima da indiferença e do obscurantismo. Roberto Gervitz, montador, roteirista e cineasta, tem sido, já há um bom tempo, uma das vozes mais ativas e importantes sobre o tema. No texto que publicamos hoje, ele transforma em palavras toda a indignação e legimitidade da sua justa luta, que também é a luta de todos nós.

Imagens como a da Cinemateca são imagens que nos revelam, em tudo aquilo que somos. Hora de olharmos para o espelho.

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Você já viu esse filme

O mais recente filme de Ken Loach aborda a precarização do trabalho e os efeitos disso na vida de uma família. ‘Você Não Estava Aqui’ (2019) é ficção, mas parece um documentário pré-coronavírus: estão lá o protagonista que faz entregas rápidas, os idosos e a mediação da tecnologia. Você já viu esse filme. Um ensaio de Déborah de Paula Souza.

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