Sociedade

A branquitude se visibiliza

"O negro nasce e se descobre em um mundo velho e desgastado pela escravidão. O branco nasce em um mundo sempre novo e promissor; quando descobre a realidade do racismo, tem o privilégio de escolher lutar contra ele (e receber as honrarias de um herói) ou se abster de um problema que, afinal, não lhe diz respeito.
Assim, em nossa realidade, as duas identidades — branca e negra — fecham-se nos dois lados de um símbolo — o universal e o particular, o incondicionado e o condicionado." Por Adriano Moraes Migliavacca, uma proposta de reflexão sobre o conceito de branquitude.

Tempo de horizontes largos

"Nenhuma das ameaças pré-pandemia à economia global desapareceu, e pelo contrário, com a crise gerada pela COVID-19 e as resposta que estão a ser encontradas, estão a agravar-se e a agravar todas elas. Ampliaram-se os grandes riscos que já existiam e introduziram-se mais barreiras ao crescimento na próxima década." Para Sónia Ribeiro, do Instituto de Estudos Políticos, em tempos de horizontes largos, importa rejeitar as falsas respostas e encarar a incerteza em seus termos.

Cartas da Malásia: A Viagem a Balbec

"Poucas horas depois de ter ouvido Hafiez falar com nostalgia de seu encontro com o tubarão-baleia em Tenggol, li sobre a visita da rainha Elizabeth II e do príncipe Philip a Mustique, em 1977: 'the Duke of Edinburgh really enjoyed snorkelling among the sharks'."

Mais uma Carta da Malásia, assinada por Ary Quintella, diplomata brasileiro em Kuala Lumpur.

A importância das questões identitárias

Em resposta ao ensaio de Rogério P. Severo — sobre os "irracionalismos identitários", produto de uma radical mudança no discurso dos movimentos negro, gay e feminista das últimas décadas —, Érico Andrade fala sobre a importância das questões identitárias e sobre racionalidade na compreensão de nossa formação histórica.

Cartas da Malásia: A Petrópolis dos Mares do Sul

Em mais uma Carta da Malásia, Ary Quintella — diplomata brasileiro em Kuala Lumpur — fala sobre Fraser's Hill. A Petrópolis dos Mares do Sul? Em Fraser’s Hill, não há avenida Koeller e nem palácio do Grão-Pará. (Há, porém, entre a culinária e o parlamentarismo de estilo Westminster, um tanto da herança colonial.)

Cartas da Malásia: Juru Damang, o Elefante Real

"Os Anais Malaios, em suas 200 páginas, são uma epopeia do povo malaio; uma crônica sobre o Sultanato de Malaca, fundado em torno ao ano 1400, eliminado pela invasão portuguesa em 1511 e que, no seu apogeu, no final do século XV, foi uma potência regional; uma genealogia, às vezes fantasiosa, dos soberanos; narrativas sobre intrigas em diversas cortes do Sudeste asiático; relatos de guerras e de embaixadas; e veículo de transmissão de antigas lendas. Foi essa a companhia que escolhi para ir comigo a Langkawi."

Hoje, no Estado da Arte, a segunda Carta da Malásia, do diplomata brasileiro Ary Quintella.

Pandemia, conflitos de valores e política

"A pandemia, com seu enorme custo social e de vidas, poderá produzir algumas consequências positivas — se a sociedade brasileira for capaz de se apropriar dos novos impulsos que ela gerou." Uma análise do Prof. Bernardo Sorj sobre política e conflitos de valores na pandemia; um ensaio que busca um pouco de distanciamento para analisar nossa crise em todas suas circunstâncias — inclusive a do pluralismo valorativo.

As camadas da crise e os valores democráticos essenciais

"Durante e após a epidemia, o esforço de preservar o estado democrático, as liberdades fundamentais, a ordem legal e a paz social estará além e aquém do habitual conflito entre a direita e a esquerda. É um esforço por sobrevivência que exige que nos voltemos a valores e sentimentos essenciais." Um ensaio do Prof. Arthur Alfaix Assis sobre as várias camadas de nossa crise e os valores elementares daquilo a que chamamos de civilização.

A miragem do novo normal

"A pandemia no Brasil se consolidou a partir de uma cadeia paradoxal de fatos, a partir da qual para cada noção que a afirma temos que lidar com elementos que as negam. Sobre nossos noventa mil mortos marcha uma lógica que se recusa até a afirmar condolências. Aos mortos nega-se a própria morte."

E "se o paradoxo dessa nossa pandemia é tão explícito quanto os atos falhos daqueles que a sustentam, também temos nos deparado fórmulas um pouco mais sutis, mas igualmente comprometidas com o realismo mágico que move uma multidão a adorar uma caixa de remédio." Para Rodrigo Toniol, "esse é o caso da ideia de um novo normal, mais um ato falho que agora aguça imaginações", que "escracha nossa pulsão normalizadora do caos".