Podcast – “As Grandes Cidades e a Vida do Espírito” de Georg Simmel

Em mais uma peça em parceria com o Café Filosófico – CPFL, o Estado da Arte traz em viva voz um dos clássicos do pensamento sociológico sobre a vida urbana em nosso tempo:

No ano de 2009, a população urbana superou pela primeira vez a rural, e as projeções mostram que em 2050 66% da população mundial será urbana, sendo que nos países desenvolvidos essa taxa será de quase 90%. Ao celebrar em 2017 o tema “Responsabilidade”, o Café Filosófico tangenciou em diversos momentos a relação do indivíduo moderno com as grandes cidades. Um dos temas fundamentais nesse complexo de problemas é a metamorfose, em relação às antigas sociedades agrárias, da relação entre autonomia e interdependência típica dos ambientes metropolitanos após a urbanização promovida pela revolução industrial. Este foi o tema da palestra do cientista político Renato Lessa “O abismo da autonomia”  para o Ciclo Novos Horizontes da Responsabilidade.  Como diz Lessa:

O termo “autonomia” fixou-se, de modo indelével, no léxico de nossas melhores aspirações. No entanto, a demanda por autonomia coincide com a máxima extensão conhecida pelos humanos dos imperativos da interdependência. O imaginário da autonomia, em grande medida, opera no esquecimento e no recalque da interdependência.

Pode-se dizer que a maior qualidade do texto de Simmel é justamente desvelar em minúcias os efeitos deste “esquecimento” e “recalque da interdependência”. Neste sentido, sua conferência da virada do século, é não só um registro histórico inestimável de como as mentes mais bem equipadas – no caso de Simmel, pelo aparato da formação acadêmica alemã em sua época áurea – entendiam a intensificação das aglomerações urbanas, como também uma fonte de intuições fecundas ainda hoje.

Ao realizar a sua investigação sobre as bases estruturais da psicologia do homem metropolitano, Simmel oferece pontos de reflexão que iluminam diversos temas tratados ao longo dos mais de 10 anos de atividade do Café. Os exemplos são inúmeros, e abrangem tanto questões de saúde mental e políticas públicas de saúde (como nos ciclos Mal-estar, sofrimento e diagnóstico, 2016; Do hedonismo à adicção, 2014; O sofrimento humano nos tempos atuais, 2014; ou Corpo e saúde, 2012), quanto questões de planejamento urbano (Energia na Cidade do Futuro, 2013; O futuro das cidades, 2010), o impacto das novas mídias e ferramentas de comunicação (Como a internet está mudando nossas vidas, 2013; Mundo virtual, 2010) e, claro, tópicos de economia e sociologia (Vida contemporânea, 2012; Tribos sem terra; ou Reflexões sobre a crise e o futuro do trabalho, 2009).

No acervo do Café Filosófico:

Cidades do futuro, com Jaime Lerner

Melancolia da desigualdade – a cidade dividida, com Ermínia Maricato

Brasil 2014 – Campo das Ideias – Cidades sustentáveis: como a Copa do Mundo influência o desenvolvimento das cidades, com Luiz Sales