Espanha invertebrada

17 anos antes da Guerra Civil espanhola e 100 anos antes da “declaração” de independência da Catalunha, Ortega y Gasset explica como os particularismos podem despedaçar o Reino federativo da Espanha.

“A essência do particularismo é que cada grupo deixa de sentir-se a si mesmo como parte e em consequência deixa de compartilhar os sentimentos dos demais. Não lhe importam as esperanças ou as necessidades dos outros e não se solidarizará com eles para auxiliá-los em seus anseios. . . .

“Não é necessário nem importante que as partes de um todo social coincidam em suas vontades e suas ideias; o necessário e importante é que conheçam cada uma, e em certo modo vivam as das outras. Quando isso falta, perde a classe ou corporação, como certos enfermos da medula, a sensibilidade tátil; não sente em sua periferia o contato e a pressão das demais classes ou corporações; chega consequentemente a crer que só ela existe, que ela é tudo, que ela é um todo. Tal é o particularismo de classe, sintoma muito mais grave de decomposição que os movimentos de separatismo étnico e territorial; porque as classes e corporações são partes num sentido mais radical que os núcleos étnicos e políticos.

“Pois bem: a vida social espanhola oferece em nossos dias um extremado exemplo deste atroz particularismo. Hoje a Espanha é, mais do que uma nação, uma série de compartimentos estanques.”

Confira na íntegra na série Grande Teatro do Mundo