Contra o vento do liberalismo

O que significaria caminhar ‘contra o vento’ do paradigma liberal? Um ensaio de Caio Vioto sobre o que é o liberalismo, afinal, e quais seriam as alternativas a ele. Em tempos de ‘contra-história’, lembra-se que “qualquer um que não tenha idealizações reacionárias em relação ao Antigo Regime, ou que não acredite numa verdade política que legitime a eliminação de qualquer um que se coloque em seu caminho inexorável, está de alguma forma pensando politicamente sob o paradigma liberal.”

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Agostinho e o imago Dei no Ocidente

“Qual será o saldo civilizacional para uma sociedade que, cada vez mais, recusa suas origens, seus alicerces?” Em tempos de “uma disputa ideológica entre extremos que em nada representam nossos avanços nas concepções de igualdade e liberdade” — em tempos de barbárie das guerras culturais, de utopias modernas, de um pelagianismo de Estado que marca a intromissão de César na esfera que pertence a Deus —, cumpre revisitar o bispo de Hipona. Agostinho e o imago Dei no Ocidente, por Leandro Bachega.

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Stanford Encyclopedia of Philosophy: Ludwig Wittgenstein

Orgulhosamente, trazemos hoje, no Estado da Arte, uma tradução do verbete que trata sobre o filósofo Ludwig Wittgenstein na Stanford Encyclopedia of Philosophy, escrito pelas professoras Anat Biltetzki e Anat Matar. Agradecemos profundamente aos editores da SEP — em especial, Edward N. Zalta — pela autorização. Ainda, com todo nosso respeito, todos nossos cumprimentos, agradecemos ao tradutor, Prof. Me. Gustavo Coelho, pela cuidadosa tradução, e ao Prof. Dr. Jônadas Techio, pela revisão e supervisão do processo.

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Irracionalismos identitários

“Houve uma mudança tão radical no discurso dos movimentos feminista, negro e gay das últimas décadas que algumas das teses centrais de líderes negros, gays e feministas do passado são hoje abertamente tidas como racistas, homofóbicas e misóginas.” Para o Prof. Rogério P. Severo, “é preciso separar as reivindicações legítimas por justiça e igualdade de oportunidade pleiteadas por mulheres, negros e gays das aberrações intelectuais que se imiscuíram nesses movimentos.”

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Identidade e cidadania: Uma conversa com Charles Taylor

Para Charles Taylor, “existem identidades que nos encorajam a ser abertos, a sentir e a praticar a solidariedade com nossos pares, e esse é o único antídoto para a raiva, o ciúme, a postura defensiva e o ressentimento de certas identidades coletivas mais restritas.” Autor de obras como A Ética da Autenticidade, As Fontes do Self e Uma Era Secular, Taylor é um dos mais celebrados pensadores contemporâneos, com importantes publicações nas esferas da filosofia moral, da epistemologia, da filosofia da linguagem e também no debate público. Em entrevista exclusiva ao Estado da Arte — conduzida e traduzida por Rodrigo Coppe e Filipe Campello —, o filósofo falou sobre identidade, cidadania, religião, neoliberalismo, democracia. Sobre nossa condição, nossas circunstâncias.

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Miserável mundo novo: Conservadores, uni-vos!

“Acompanhando vozes de natureza conservadora, este texto é um tímido manifesto conservador. Um manifesto que rejeita a antecipação de um mundo, um mundo que alguns tentam normalizar diante dos desafios da pandemia causada pela Covid-19. Não há que se normalizar circunstâncias que nos entristecem e constrangem nosso bem-estar.” Para Celina Brod, “a expressão ‘o novo normal’, que tem sido usada sem pudor, é um equívoco de mau gosto. Mesmo que todos estejam entretidos com suas gerigonças, é preciso manter o empenho na restituição do velho normal. O novo, há que se insistir nisso, é anormal.”

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Eutanásia

De acordo com Desidério Murcho, “não há razões sequer remotamente promissoras a favor da proibição da eutanásia voluntária.” Para o Prof. Murcho, “a ideia clara e evidente de que é imoral proibir o que não afeta negativamente seja quem for custa imenso a caber na mentalidade hipernormativa infelizmente tão comum”, uma dificuldade mental que tem duas razões principais: “exibir imaginadas superioridades morais perante os outros” e “um dos fenómenos mais infelizes da psicologia humana, o pensamento de manada”.

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O que resta da crítica estrutural?

Um ensaio de Filipe Campello sobre a crítica estrutural e o que resta dela. Sobre culpa, responsabilidade individual, cultura do cancelamento, sobre o vocabulário de nossa liberdade. Sobre o paradoxo do moralismo persecutório: “Ao invés de voltar-se para a crítica a formas estruturais de injustiça, o que o uso equivocado de conceitos como lugar de fala e outras práticas como linchamento virtual e cancelamento têm feito é o patrulhamento sobre quem pode ou não falar, muitas vezes assumindo um caráter cerceador da liberdade e de interdição do discurso. No limite, ele joga fora tanto as dimensões estruturais da crítica quanto a possibilidade de responsabilização individual — ou seja, a capacidade que cada um tem de rever suas próprias posições.”

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O mundo horizontal dos bárbaros: breve ensaio sobre o aplainamento do globo

As ideias têm consequências — e muitas delas não são esquecidas antes de provocar alguns estragos. Um ensaio de Ricardo Mantovani sobre a rotundidade da Terra (!); sobre mitos, sobre o aplainamento do globo — e da inteligência —, sobre o terraplanismo ao redor do mundo e sobre o lugar do Brasil no mapa da plana Terra dos bárbaros.

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Ensaísmo contra os autoritários

Ensaiar é fazer prova, analisar: monetam inspicere. Refletir, distinguir, ponderar. Se a capacidade de fazer distinções é uma das primeiras vítimas dos fanatismos em suas múltiplas manifestações, o ensaio se torna uma espécie de antídoto, pois não quer parar de perguntar, de perguntar-se. “Vou, inquiridor e ignorante”, dizia Montaige sobre a sua prática. Por isso o gênero ensaístico é antiautoritário por excelência. Um ensaio de Rodrigo Coppe Caldeira sobre… o ensaio. Sobre o ensaísmo, expressão da coragem espiritual e da restauração da intimidade com a dúvida.

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Necessidade e contingência

“Será que as coisas são mesmo como parecem? O que está em questão é a distinção entre a contingência e necessidade: algumas verdades parecem instáveis, digamos, no sentido de parecer que poderiam ter sido falsas, ao passo que outras parecem de tal modo estáveis que aparentemente não poderiam ter sido falsas. Isto significa que parece que as verdades têm modos: aparentemente, algumas frases são verdadeiras no modo da necessidade e outras no modo da contingência.”

Um ensaio do Prof. Desidério Murcho sobre as modalidades aléticas da verdade. “Bem-vindo a uma das mais fascinantes áreas da metafísica contemporânea.”

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Belerofonte ao léu vagava pelos campos: Ensaio sobre a solidão

“Nosso eu, nossa consciência e, consequentemente, o sentimento extremado de nós mesmos e da gratuidade de nós mesmos e do mundo exigem que reconheçamos que não somos mais do que a experiência inescapável da solidão, que nos forja, a um só tempo, com o sentido da angústia, do abandono e da incompletude — mas também com a necessidade, quase sempre irrealizável, de nos encontrarmos no outro, de nos realizarmos fora de nós mesmos, de nos doarmos, em alguma medida, ao mundo que nos abriga e que também é a extensão mais ou menos reconhecível de nós mesmos.”

Com Kierkegaard e Camus, Montaigne e Pascal, Beckett e Baudelaire, um ensaio do Prof. Márcio Scheel sobre a solidão. É preciso amá-la — e saber deixá-la também.

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Poder e sentimentos na política

“Remendar fios rompidos ou refazer compromissos que não foram concluídos talvez só seja possível pela refundação. Arendt, porém, citando Maquiavel, lembra que não há nada mais difícil, nem mais duvidoso, nem mais perigoso do que ‘iniciar uma nova ordem de coisas’.” Um ensaio da Prof. Adriana Novaes sobre o poder e os sentimentos na política, na parceria do Estado da Arte com o projeto Bolsonarismo: Novo Fascismo Brasileiro, desenvolvido pelo Laboratório de Política, Comportamento e Mídia da Fundação São Paulo/PUC-SP, o Labô.

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Sobre os valores do liberalismo

Quais são os valores do liberalismo? “A despeito da dificuldade em caracterizar e definir uma doutrina tão complexa e já tão longeva como o liberalismo”, o Prof. Denis Coitinho procura “destacar suas ideias centrais, considerando tanto o liberalismo clássico quanto o contemporâneo”. “O liberalismo”, assim, “é uma teoria política, moral e econômica que defende o progresso da humanidade, a neutralidade ética estatal, a tolerância como virtude pública central e o livre mercado com justiça social.”

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O direito e o constrangimento epistemológico

“Direito não é aquilo que o intérprete quer que ele seja, e, portanto, não é aquilo que o tribunal, no seu conjunto ou na individualidade de seus componentes, diz que é.” O jurista Lenio Streck lança “um repto à comunidade jurídica: o dever da doutrina jurídica de doutrinar. Isso implica um papel prescritivo arraigado no paradigma democrático, e não meramente reprodutor das orientações do Judiciário — imaginário que se formou e tem ganhado cada vez mais força na teoria do Direito.”

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