Miserável mundo novo: Conservadores, uni-vos!

“Acompanhando vozes de natureza conservadora, este texto é um tímido manifesto conservador. Um manifesto que rejeita a antecipação de um mundo, um mundo que alguns tentam normalizar diante dos desafios da pandemia causada pela Covid-19. Não há que se normalizar circunstâncias que nos entristecem e constrangem nosso bem-estar.” Para Celina Brod, “a expressão ‘o novo normal’, que tem sido usada sem pudor, é um equívoco de mau gosto. Mesmo que todos estejam entretidos com suas gerigonças, é preciso manter o empenho na restituição do velho normal. O novo, há que se insistir nisso, é anormal.”

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Eutanásia

De acordo com Desidério Murcho, “não há razões sequer remotamente promissoras a favor da proibição da eutanásia voluntária.” Para o Prof. Murcho, “a ideia clara e evidente de que é imoral proibir o que não afeta negativamente seja quem for custa imenso a caber na mentalidade hipernormativa infelizmente tão comum”, uma dificuldade mental que tem duas razões principais: “exibir imaginadas superioridades morais perante os outros” e “um dos fenómenos mais infelizes da psicologia humana, o pensamento de manada”.

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O que resta da crítica estrutural?

Um ensaio de Filipe Campello sobre a crítica estrutural e o que resta dela. Sobre culpa, responsabilidade individual, cultura do cancelamento, sobre o vocabulário de nossa liberdade. Sobre o paradoxo do moralismo persecutório: “Ao invés de voltar-se para a crítica a formas estruturais de injustiça, o que o uso equivocado de conceitos como lugar de fala e outras práticas como linchamento virtual e cancelamento têm feito é o patrulhamento sobre quem pode ou não falar, muitas vezes assumindo um caráter cerceador da liberdade e de interdição do discurso. No limite, ele joga fora tanto as dimensões estruturais da crítica quanto a possibilidade de responsabilização individual — ou seja, a capacidade que cada um tem de rever suas próprias posições.”

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O mundo horizontal dos bárbaros: breve ensaio sobre o aplainamento do globo

As ideias têm consequências — e muitas delas não são esquecidas antes de provocar alguns estragos. Um ensaio de Ricardo Mantovani sobre a rotundidade da Terra (!); sobre mitos, sobre o aplainamento do globo — e da inteligência —, sobre o terraplanismo ao redor do mundo e sobre o lugar do Brasil no mapa da plana Terra dos bárbaros.

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Ensaísmo contra os autoritários

Ensaiar é fazer prova, analisar: monetam inspicere. Refletir, distinguir, ponderar. Se a capacidade de fazer distinções é uma das primeiras vítimas dos fanatismos em suas múltiplas manifestações, o ensaio se torna uma espécie de antídoto, pois não quer parar de perguntar, de perguntar-se. “Vou, inquiridor e ignorante”, dizia Montaige sobre a sua prática. Por isso o gênero ensaístico é antiautoritário por excelência. Um ensaio de Rodrigo Coppe Caldeira sobre… o ensaio. Sobre o ensaísmo, expressão da coragem espiritual e da restauração da intimidade com a dúvida.

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Necessidade e contingência

“Será que as coisas são mesmo como parecem? O que está em questão é a distinção entre a contingência e necessidade: algumas verdades parecem instáveis, digamos, no sentido de parecer que poderiam ter sido falsas, ao passo que outras parecem de tal modo estáveis que aparentemente não poderiam ter sido falsas. Isto significa que parece que as verdades têm modos: aparentemente, algumas frases são verdadeiras no modo da necessidade e outras no modo da contingência.”

Um ensaio do Prof. Desidério Murcho sobre as modalidades aléticas da verdade. “Bem-vindo a uma das mais fascinantes áreas da metafísica contemporânea.”

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Belerofonte ao léu vagava pelos campos: Ensaio sobre a solidão

“Nosso eu, nossa consciência e, consequentemente, o sentimento extremado de nós mesmos e da gratuidade de nós mesmos e do mundo exigem que reconheçamos que não somos mais do que a experiência inescapável da solidão, que nos forja, a um só tempo, com o sentido da angústia, do abandono e da incompletude — mas também com a necessidade, quase sempre irrealizável, de nos encontrarmos no outro, de nos realizarmos fora de nós mesmos, de nos doarmos, em alguma medida, ao mundo que nos abriga e que também é a extensão mais ou menos reconhecível de nós mesmos.”

Com Kierkegaard e Camus, Montaigne e Pascal, Beckett e Baudelaire, um ensaio do Prof. Márcio Scheel sobre a solidão. É preciso amá-la — e saber deixá-la também.

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Poder e sentimentos na política

“Remendar fios rompidos ou refazer compromissos que não foram concluídos talvez só seja possível pela refundação. Arendt, porém, citando Maquiavel, lembra que não há nada mais difícil, nem mais duvidoso, nem mais perigoso do que ‘iniciar uma nova ordem de coisas’.” Um ensaio da Prof. Adriana Novaes sobre o poder e os sentimentos na política, na parceria do Estado da Arte com o projeto Bolsonarismo: Novo Fascismo Brasileiro, desenvolvido pelo Laboratório de Política, Comportamento e Mídia da Fundação São Paulo/PUC-SP, o Labô.

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Sobre os valores do liberalismo

Quais são os valores do liberalismo? “A despeito da dificuldade em caracterizar e definir uma doutrina tão complexa e já tão longeva como o liberalismo”, o Prof. Denis Coitinho procura “destacar suas ideias centrais, considerando tanto o liberalismo clássico quanto o contemporâneo”. “O liberalismo”, assim, “é uma teoria política, moral e econômica que defende o progresso da humanidade, a neutralidade ética estatal, a tolerância como virtude pública central e o livre mercado com justiça social.”

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O direito e o constrangimento epistemológico

“Direito não é aquilo que o intérprete quer que ele seja, e, portanto, não é aquilo que o tribunal, no seu conjunto ou na individualidade de seus componentes, diz que é.” O jurista Lenio Streck lança “um repto à comunidade jurídica: o dever da doutrina jurídica de doutrinar. Isso implica um papel prescritivo arraigado no paradigma democrático, e não meramente reprodutor das orientações do Judiciário — imaginário que se formou e tem ganhado cada vez mais força na teoria do Direito.”

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Recordando Mário Soares e os bons velhos tempos

“Nos bons velhos tempos, uma das mais estimulantes observações de Mário Soares era que, em democracia, o pêndulo tem de ter espaço para se mover tranquilamente — um pouco mais para a esquerda hoje, um pouco mais para a direita amanhã.” Recordando Mário Soares e os bons velhos tempos, contra o clima tribal de nossa época, as recomendações de leitura do Professor João Carlos Espada, OBE. (Publicado originalmente no Observador.)

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Coluna ANPOF: A condição kafkiana da atualidade

“Quase sempre turvados por uma sombra ambígua e desfiguradora, própria dos sótãos e corredores sem saída nos quais vivem, os personagens kafkianos assistem paulatinamente ao esfarelamento de seu próprio eu, ao declínio de sua consciência. Como nós, esses personagens de Kafka assistem ao processo de desmoronamento daquilo que desde sempre se lhes apresentou como fora de todo questionamento: a veracidade dos fatos. Nossos jornalistas, cientistas e intelectuais não estão, pois, num romance kafkiano?” Confira o ensaio de Ulisses Razzante Vaccari sobre nossa condição kafkiana. Uma parceria do Estado da Arte com a ANPOF.

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A natureza de nossas divergências

“Sim, a injustiça é abominável, sim, a miséria é inaceitável, sim, a nossa educação é pavorosa, sim, a corrupção e a violência correm soltas, sim, precisamos de mais ciência e menos fígado. Mas cada um desses e quaisquer outros tópicos de polêmica nacional ou internacional podem ser enquadrados sob visões, valores, narrativas e metáforas distintas e incompatíveis. São em torno destas últimas, e não de razões, que as opiniões se aglutinam. E é por isso que pessoas que de outro modo nos parecerem perfeitamente razoáveis e ponderadas podem chegar a conclusões que nos parecem absurdas por meio de raciocínios impecáveis.” Um ensaio de Rogério P. Severo, sobre a natureza de nossas divergências — num tempo em que nos tornamos “todos perspectivistas, ainda que inconscientes”.

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Medida relativa e medida absoluta

O grupo Gnómon – Núcleo de Matemáticas e Ciências, do Centro de Estudos Helênicos Areté, apresenta uma tradução do artigo “Mesure relative et mesure absolue”, de Olivier Rey. Se os modelos da ciência moderna poderiam parecer, inclusive pela sua formulação, dotados de formas invariantes por escala dentro de um universo homogêneo, Rey mostra que a natureza, por outro lado, apresenta fenômenos relacionados a uma noção absoluta de medida, como já notado por Galileu. A forma é também determinada pela escala: o artigo traz tal ideia em relação a questões da física, da biologia e da política. O grupo Gnómon promoverá uma discussão sobre os temas levantados por Rey em uma live no próximo dia 8 de julho, das 19h30 às 21h30, transmitido através do canal YouTube da Areté.

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Nosso perfeccionismo cotidiano

“O fascismo tem voltado, não pelas narrativas fraudulentas propagadas, apenas, mas pela disposição de boa parte da população mundial em lê-las, aceitar acreditar no que elas propagam e, voluntariamente, compartilhá-las em suas redes sociais e com seus contatos no telefone. Tem voltado porque, ao que tudo indica, novamente, ressurgiu a aversão à realidade — imperfeita, heterodoxa, diversa e plural, trazendo de volta o perfeccionismo como vontade generalizada de limpeza, ordem e consistência.” Um ensaio de Henrique Raskin sobre nosso perfeccionismo cotidiano.

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O Eichmann de Hannah Arendt

“O que é distintivo em Eichmann, acima de tudo, é a sua incapacidade de avaliar as consequências devastadoras de seus atos, mesmo quando consideradas instrumentalmente como meios de autopromoção. O seu déficit moral, por assim dizer, se assenta na sua incapacidade de avaliar a desproporção entre estes dois termos: eficiência na sua função (aliada ao reconhecimento público) e a consequente destruição gratuita (que vai contra tudo o que já pôde conceber mesmo o utilitarismo mais rasteiro).” Na estreia da ANPOF com o Estado da Arte, um ensaio do Prof. Adriano Correia sobre o Eichmann de Hannah Arendt.

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Mentalizações e interações sociais comunicativas: representacionais?

“Uma das perguntas fundamentais da filosofia da linguagem é a de se o significado de frases que comunicamos socialmente e que vêm acompanhadas por mentalizações — processos mentais conscientes de primeira pessoa acerca de seus próprios estados mentais — são espécies de representações, e, se forem, que tipo de representações são. Seria tarefa do filósofo da linguagem descobrir evidências empíricas para os fenômenos semânticos? Ou será sua tarefa explicar o fenômeno do significado de palavras e frases, em princípio inescrutável por mera observação, inferindo de outros fenômenos, esses, sim, observáveis?” Leia o ensaio da Prof. Sofia Stein sobre Mentalizações e interações sociais comunicativas.

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