Belerofonte ao léu vagava pelos campos: Ensaio sobre a solidão

“Nosso eu, nossa consciência e, consequentemente, o sentimento extremado de nós mesmos e da gratuidade de nós mesmos e do mundo exigem que reconheçamos que não somos mais do que a experiência inescapável da solidão, que nos forja, a um só tempo, com o sentido da angústia, do abandono e da incompletude — mas também com a necessidade, quase sempre irrealizável, de nos encontrarmos no outro, de nos realizarmos fora de nós mesmos, de nos doarmos, em alguma medida, ao mundo que nos abriga e que também é a extensão mais ou menos reconhecível de nós mesmos.”

Com Kierkegaard e Camus, Montaigne e Pascal, Beckett e Baudelaire, um ensaio do Prof. Márcio Scheel sobre a solidão. É preciso amá-la — e saber deixá-la também.

Read more

Vidas Secas e 1984: Quando faltam palavras

“Na beira do rio haviam comido o papagaio, que não sabia falar. Necessidade. Fabiano também não sabia falar”. “Se temos a palavra ‘bom’, para que precisamos de ‘mau’? Cada palavra contém em si o contrário.” Partindo de Vidas Secas e 1984 — de Graciliano e Orwell —, um ensaio do jornalista Elton Frederick sobre a deturpação da linguagem, sobre a degradação de nossos compromissos semânticos. Sobre a necessidade de escrevermos em tábuas estreitas.

Read more

Quem se importa com Machado de Assis?

“A excelente nova tradução de Memórias Póstumas de Brás Cubas, feita por Flora Thomson-DeVeaux e publicada nos Estados Unidos sob o selo Penguin Classics, tornou-se imediatamente um sucesso de vendas. Embora minha intenção fosse escrever uma resenha, este texto acabou se tornando, também, uma pequena reflexão sobre a recepção da literatura brasileira no exterior e sobre como ela afeta a nossa autoestima coletiva. No fundo, é um texto sobre o que essa nova tradução representa para nós, leitores brasileiros, nos dias de hoje.” Um ensaio do diplomata Hudson Caldeira sobre a nova tradução de Machado ao inglês, sobre nossa literatura, nosso orgulho e nossa insegurança.

Read more

A pandemia na obra literária e epistolar de Goethe

“Sucumbirá o império fáustico — magistral figuração da ‘velocífera’ sociedade industrial — às investidas dos elementos e a ameaças como a que desponta nas últimas palavras do colonizador? Ou seu legado está destinado a perdurar pelos séculos vindouros?” Para o Prof. Marcus Mazzari, “se o octogenário Goethe, concluindo a obra em que trabalhou ao longo de 60 anos, deixa essa questão em aberto, nela também se espelham hoje as incertezas de um mundo confrontado com ameaças como aquecimento global, mudanças climáticas, extinções de espécies ou irrupção de pandemias devastadoras.”

Read more

Por que o “William Faulkner do Brasil” não atingiu a mesma fama internacional?

“Quando comecei a traduzir Graciliano Ramos, descobri que é até lugar comum referir-se a ele como ‘o Faulkner brasileiro’. Por quê?” É a pergunta de Padma Viswanathan, tradutora de ‘São Bernardo’ ao inglês, na nova edição da NYRB — uma tradução que busca corrigir essa questão, fazendo justiça ao nome de Graciliano.

Read more

Capítulo inédito de Três Porcos, novo romance de Marcelo Labes

“É dos homens adultos, talvez também dos homens perturbados, perseguir uma ideia de pai. Na ausência do próprio, procuram a ideia de pai em outros homens, ou a negam completamente — e negam os homens, por consequência. A ideia de pai tem a ver com força, destreza, inteligência e responsabilidade. Tem a ver com imóveis, gravatas, automóveis e uma carteira que não cessa de prover a família. Isso para os outros homens. A minha ideia de pai tem a ver com insetos.” Leia, no Estado da Arte, um capítulo de Três Porcos, novo romance de Marcelo Labes a ser publicado em agosto de 2020.

Read more

O bardo Ossian: uma história de fake news no século XVIII

“Legível ou não, a poesia ossiânica é um marco remoto da confusão gerada por notícias falsas no mundo da arte. A moral da história, se é que há alguma, deveria sustentar-se na força da consciência individual e na posteridade como os melhores — e talvez únicos — juízes.” Um ensaio de André Chermont de Lima sobre o bardo Ossian: uma história de fake news no século XVIII.

Read more

Machado de Assis rachado, em descontínuo

“Se há algo metafísico na narrativa machadiana, ela é dissecada até não sobrar um fiapo, e por isso não trazer resposta, com certo cinismo quase sensível. No retalho, no rasgo, a sociedade está desmontada, como desmontada está a camada psicológica de todo aquele universo íntimo e coletivo.” Machado de Assis rachado, em descontínuo, por Thiago Blumenthal.

Read more

O Brasil dos Catrumanos: nossa realidade atual?

“A proporção e a vileza de nossa disfunção atinge proporções que já desafiam nosso vocabulário disponível, exigindo novos termos que captem essa inédita degradação humana.” Para a Prof. Kathrin Rosenfield, “regredimos para aquém da ordem dos jagunços, para aquém do patriarcal romantizado de Seu Ornelas. Para o fora da ordem dos catrumanos.”

Read more

Marco Lucchesi e Hugo Langone: dois autores em colóquio

Trazemos hoje não uma entrevista, mas uma conversa entre dois autores: Hugo Langone, nosso colaborador habitual, e Marco Lucchesi, jovem imortal da ABL — alguém que, não satisfeito em conhecer mais de vinte idiomas, criou sua própria língua. Felizmente para nós, o diálogo está em português — o português, língua imortalizada por figuras como Lucchesi e vitalizada por poetas como Hugo.

Read more

A peste em Tucídides e dois antecedentes poéticos

“Ao longo de oito parágrafos extensos (47.3 – 54.5) do segundo livro de sua História da Guerra do Peloponeso, Tucídides narra com riqueza de detalhes os efeitos da epidemia que assolou Atenas a partir do segundo ano da guerra travada contra Esparta.” O Estado da Arte traz a tradução comentada de Márcio Mauá Chaves Ferreira da peste em Tucídides.

Read more