A cegueira da justiça

Por Filipe Campello, um ensaio sobre os riscos de uma redução do horizonte das questões da justiça apenas à esfera jurídica e as patologias da juridificação diante das dimensões estruturais da injustiça — sobre o ponto cego da lógica jurídica diante daquilo que está implícito nas práticas sociais.

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A branquitude se visibiliza

“O negro nasce e se descobre em um mundo velho e desgastado pela escravidão. O branco nasce em um mundo sempre novo e promissor; quando descobre a realidade do racismo, tem o privilégio de escolher lutar contra ele (e receber as honrarias de um herói) ou se abster de um problema que, afinal, não lhe diz respeito.
Assim, em nossa realidade, as duas identidades — branca e negra — fecham-se nos dois lados de um símbolo — o universal e o particular, o incondicionado e o condicionado.” Por Adriano Moraes Migliavacca, uma proposta de reflexão sobre o conceito de branquitude.

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Tempo de horizontes largos

“Nenhuma das ameaças pré-pandemia à economia global desapareceu, e pelo contrário, com a crise gerada pela COVID-19 e as resposta que estão a ser encontradas, estão a agravar-se e a agravar todas elas. Ampliaram-se os grandes riscos que já existiam e introduziram-se mais barreiras ao crescimento na próxima década.” Para Sónia Ribeiro, do Instituto de Estudos Políticos, em tempos de horizontes largos, importa rejeitar as falsas respostas e encarar a incerteza em seus termos.

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Pandemia, conflitos de valores e política

“A pandemia, com seu enorme custo social e de vidas, poderá produzir algumas consequências positivas — se a sociedade brasileira for capaz de se apropriar dos novos impulsos que ela gerou.” Uma análise do Prof. Bernardo Sorj sobre política e conflitos de valores na pandemia; um ensaio que busca um pouco de distanciamento para analisar nossa crise em todas suas circunstâncias — inclusive a do pluralismo valorativo.

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As camadas da crise e os valores democráticos essenciais

“Durante e após a epidemia, o esforço de preservar o estado democrático, as liberdades fundamentais, a ordem legal e a paz social estará além e aquém do habitual conflito entre a direita e a esquerda. É um esforço por sobrevivência que exige que nos voltemos a valores e sentimentos essenciais.” Um ensaio do Prof. Arthur Alfaix Assis sobre as várias camadas de nossa crise e os valores elementares daquilo a que chamamos de civilização.

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O racismo enquanto exercício de predicação

“A inferioridade negra foi uma mentira extremamente bem contada; elaborada para durar séculos. O sucesso dessa mentira garante que ela não se dissipará se a ignorarmos; ela não morrerá de inanição. Sua impugnação não ocorrerá senão com uma longa, consciente e ativa reformulação das ideias que temos não só sobre pessoas negras, mas também sobre pessoas brancas.” Um ensaio de Adriano Moraes Migliavacca sobre o racismo enquanto exercício de predicação.

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Ensaio sobre a racionalidade humana: tomada de decisão com (e sem) pandemia

“A pandemia escancara a fragilidade de nossa racionalidade. Se não aceitamos nossas limitações, não estamos aptos para assimilar uma nova evidência. Se não questionamos nossas crenças, não podemos enxergar falhas em nosso funcionamento lógico.” Um ensaio da Prof. Claudia Feitosa-Santana, sobre a racionalidade humana e a tomada de decisão — na pandemia, e para além dela também. Um ensaio que sugere a aposta em um viver mais altruístico, no infinito, independentemente do resultado dessa aposta.

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O momento de ver os pobres

“A pandemia da COVID-19 iluminou iniquidades que colocaram as pessoas pobres em maior risco de sofrimento. O Papa Francisco recentemente apontou em uma entrevista: ‘Este é o momento de ver os pobres’.” Um ensaio de Joachim von Braun, Stefano Zamagni e Marcelo Sánchez Sorondo, na AAAS, traduzido por Adriano Bechara, João Cortese e Marcos Paulo de Lucca Silveira.

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Heroísmo silencioso

A solidariedade parece ser um chamado urgente – ao menos quanto ao termo, concordam todos. Quanto ao que ele significa, ou se a atitude à qual ele nos chama sobreviverá após este período, talvez seja um outro assunto. De que virtudes carecemos agora para trazer esta solidariedade à prática?

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“Arredai, mortos de Manaus!”

“Eles existem, eles não estão apenas jogados sobre a minha mesa.” A frase, em que o pronome “eles” indica um número de 428 mortos impresso num boletim de estatística, foi escrita em 1943 por um cronista inquieto e constrangido; bem que poderia ter sido dita por Jair Messias Bolsonaro, em lugar da assombrosa “E daí?”. Mas a decência e a dignidade não costumam visitar com muita frequência o presidente.

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