O conceito de ironia, constantemente referido a Bolsonaro

por Pedro Augusto Pinto

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(Detalhe de ‘O conceito de ironia, constantemente referido a Sócrates’, tese doutoral de Kierkegaard de 1841)

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Até há pouco tempo, era comum usarem a palavra ‘fascismo’ como sinônimo de ‘extremismo’. O fascista seria o fanático, a pessoa incapaz de reconhecer o que está além de sua visão de mundo, cega para uma realidade mais ampla que suas teorias. Não apenas nada disso seria admissível, como o fascista estaria disposto a submeter pela força quem ou o que o contradissesse. Sob tal ótica, o oposto do fascismo seria a moderação, a irônica desconfiança diante de tudo o que é excessivamente intransigente e categórico. No plano político, habitat natural do conceito, seria possível falar de fascismos de esquerda e de direita, de um ‘xiismo’ fascista, enfim. O conceito de fascismo se confundiria com o de totalitarismo.

Mas e se, a despeito da famosa imagem da ferradura, em que os extremos se tocam, o fascismo estivesse igualmente próximo daquele meio simetricamente equidistante dos extremos, e igualmente indiferente a ambos? Em outras palavras: e se o fascismo tivesse uma relação com a ironia? Soa absurdo: uma figura de linguagem assim tão leve, e tão indiferente às brigas políticas, não pode ter algo que ver com o entrincheiramento na intransigência, e muito menos com sua imposição por meio da força. Só que o absurdo, queira-se ou não, é também verossímil, e há casos que justificam a suspeita de tal relação — é conhecida na História a adesão ao fascismo de figuras afeitas ao humor irônico. A mais famosa, certamente, é a de Luigi Pirandello. Menos renomada, mas mais próxima de nós, foi a do conselheiro Mendes Fradique, humorista que cerrou fileiras com o Integralismo na década de 1930. É fácil enxergar tais casos como recaídas súbitas e inexplicáveis; explicá-las, porém, não apenas é possível, como parece ser também revelador.

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Luigi Pirandello

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Conhecido com maior ou menor justiça como “o fundador do existencialismo”, o filósofo dinamarquês Søren Kierkegaard legou à posteridade uma obra esclarecedora sobre o tema, inserida em uma reflexão dedicada ao problema da escolha, de seu papel na existência individual, e do entrelaçamento dessas questões com a realização de uma vida verdadeiramente cristã. Mesmo que tais investigações lhe tenham rendido, ainda em vida, inúmeros conflitos com o luteranismo da igreja dinamarquesa, nota-se que as problemáticas que tomaram a maior parte de sua atenção não são, em sua superfície, diretamente afeitas à crítica histórica e social. Pelo contrário: a preocupação com a constituição do indivíduo através da escolha poderia até mesmo transparecer uma aversão à compreensão social do humano. Compreende-se que, assim como seu contemporâneo Fiódor Dostoiévski, a quem é frequentemente comparado, seja um dos autores da predileção antissocialista, independentemente da importância que teve para o pensamento de Jean-Paul Sartre, ou da tese que Theodor Adorno escreveu a seu respeito.

Søren Kierkegaard

Indo, porém, além da superfície, e contornando a arregimentação dos mortos, a profundidade da filosofia de Kierkegaard facilita não apenas a compreensão sobre aquilo que escreveu, mas também sobre o que não escreveu. Ficam os conceitos, mudam os exemplos, e com sua mudança contrariam o alistamento do autor em certos batalhões filosóficos. O procedimento poderia até mesmo ser descrito como irônico, mas tal acepção do conceito de ironia diverge de sua acepção ética, que é o décimo primeiro ponto defendido por Kierkegaard em sua tese em Teologia, O conceito de ironia, constantemente referido a Sócrates. Trazendo-o para o nosso contexto, trocaremos apenas a referência constante, colocando no lugar do grande filósofo grego uma personagem talvez mais ou menos digna, mas certamente distinta. Para efeitos de popularização de uma obra filosófica, julgamos o presidente Jair Bolsonaro o melhor exemplo disponível no mercado para ilustrar a obra do dinamarquês. Se o exemplo parece questionável, não culpemos o caixa que o vendeu; culpemos, talvez, as leis da oferta e da demanda, que garantem a circulação de produtos de semelhante qualidade.

Mas antes de mais nada, por que Sócrates? E por que compará-lo a um capitão reformado? A primeira pergunta se confunde com uma das primeiras tarefas da tese de Kierkegaard: dizer quem foi Sócrates. O problema se impõe pelo fato de não termos herdado nada escrito pelo próprio punho do filósofo, mas de o conhecermos apenas através de intermediários como Xenofonte, Aristófanes e Platão. Para Kierkegaard, porém, o próprio fato de não termos nada da autoria de Sócrates já é o primeiro indicativo de quem ele foi: alguém que não lega nada. Em outras palavras, trata-se de alguém que conhecemos só pelo que dele se diz, e que com isso institui a oposição entre um interior desconhecido e um exterior visível. Eis, portanto, um dos primeiros traços da ironia, bem como a diferença entre a sua compreensão ética e seu uso corrente, isto é, retórico.

No dia a dia, entendemos a ironia como “dizer o contrário do que se quer dizer”. O conteúdo nega a forma, mas ainda assim se afirma, e algo chega a ser dito: “Bela referência!”, alguém dirá sobre o exemplo que escolhemos, e com isso terá dito o exato oposto. No campo da ética, porém, que é o que interessava o filósofo dinamarquês, nada é dito: a forma e o conteúdo se opõem de maneira tão perfeita que o resultado é uma completa anulação tanto de um quanto da outra. Na linha do exemplo anterior, é como se imaginássemos a mesma exclamação sarcástica na boca, digamos, do gal. Hamilton Mourão: por detrás da exclamação laudatória, reconheceríamos rapidamente o seu contrário, isto é, o desprezo; porém esse desprezo voltaria imediatamente a contracenar com sua própria figura, cúmplice e folgadamente acomodada ao lado da própria pessoa de que acabou de desfazer. Tal como uma nova forma, a atitude do general volta a contradizer o conteúdo de sua fala, que já tinha contradito sua forma, e com isso instaura um diabólico jogo de luzes, onde a verdadeira imagem refletida está sempre a um espelho atrás de nossos olhos.

Mas isso não se refere apenas ao vice-presidente: pelo contrário, Mourão parece apenas honrar o presidente em exercício, refletindo seu exemplo. Se lembrarmos da trajetória percorrida pelo mandatário até o posto que agora ocupa, bem como das discussões que foi deixando atrás de si, haveremos de encontrar nele casos abundantes de ironia ética, a ponto de talvez até podermos denominá-lo como um irônico — se tal epíteto não for demasiadamente requintado para a personagem em questão, admirado justamente por sua espontaneidade. De todo modo, há razões para tanto, e elencaremos apenas algumas:

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1) Ele não quis dizer isso

Ainda antes de se tornar presidente, Jair Bolsonaro havia se consagrado como o autor de frases extremamente violentas, de cuja citação estamos dispensados, e que prosseguiram em maior ou menor medida após assumir o cargo que agora ocupa. Ainda assim, diante de uma repercussão negativa, ou de um questionamento incisivo sobre o sentido de determinado dito, ouviu-se frequentemente uma das seguintes respostas: foi só uma brincadeira, foi só um mal-entendido, foi tirado de contexto etc. Ainda hoje, vemos explicações semelhantes sendo dadas a frases mais ou menos infelizes proferidas na famosa reunião ministerial. Mas o que há de irônico aqui? O ponto se esclarece ao justapormos um exemplo contrário: imaginemos alguém que, sem querer, diga algo desagradável, mas assuma a responsabilidade pelo que disse, retratando-se, explicando-se etc. Ao fazê-lo, tal pessoa assume ter dito algo desagradável, mas seu arrependimento demonstra que aquilo que disse não a representa de todo, que ela é mais do que suas próprias frases, e terá ao longo da vida a chance de provar a sinceridade de suas novas palavras. Jair Bolsonaro, pelo contrário, nunca é responsável pelo que diz de desagradável: é sempre uma distorção da imprensa, uma descontextualização dos seus adversários, uma interpretação mal-humorada de um chiste inocente. Com isso, conclui-se que ele não disse o que disse, mas disse o que não disse, e portanto nada foi dito. Mas há também os casos em que o capitão reformado não se desdiz, o que nos leva ao segundo ponto:

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2) É a liberdade de expressão

O presidente e seus devotos apelam ao artigo 5º, inciso IV, da Constituição Federal com tanta frequência que se chega até mesmo a pensar que se trate de alguma forma de compensação, dado o seu total desconhecimento dos outros setenta e sete incisos deste mesmo artigo — para não mencionar o resto da Constituição. De todo modo, essa hipertrofia da liberdade de expressão também diz muito sobre o nosso assunto: revela a crença de que tudo pode ser dito, logo, que tudo é igualmente válido. Não há ideias melhores ou piores, sensatas e insensatas, constitucionais e inconstitucionais: há apenas opiniões, visões de mundo equivalentemente possíveis, impliquem elas a construção de uma sociedade justa e solidária ou a incitação ao estupro, como se ouviu nos últimos dias. Afinal de contas, o que torna uma visão de mundo melhor do que outra? Em outras palavras (as de Pôncio Pilatos), o que é a verdade? Tal pergunta, retórica, oculta a face duplamente perigosa do pluralismo inconsequente: em um tecido social carcomido por conflitos (políticos, sociais, raciais etc.), dizer que todas as visões são iguais no plano teórico implica legitimar a sua desigualdade no plano do real — que, embora mediado pela linguagem, tende a ocasionalmente se impor com veemência, como nas disputas distributivas, no uso direcionado da violência, ou na atual pandemia. Esta, aliás, revelou com clareza o segundo perigo: se tudo pode ser verdade, tudo pode pelo mesmo expediente ser igualmente mentira. A verdade seria assim uma quimera, inacessível a reles mortais, com o que se abrem as portas do negacionismo e das teorias da conspiração. Nada é como pensamos, tudo pode ser ou não ser: não há aquecimento global, o nazismo é de esquerda, e ambos são apenas as faces visíveis de uma terrível trama, urdida por globalistas que ousam debochar do terraplanismo, doutrina tão válida quanto qualquer outra. Todas se equivalem e se anulam mutuamente, como prova o astronauta no governo. Em outras palavras, todas se ironizam.

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Dida Sampaio, do Estadão, agredido por apoiadores do presidente Jair Messias Bolsonaro (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)

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3) Ele é louco

Haverá quem diga que isso é apenas um delírio, e que a tolerância universal às ideias pressupõe um “saudável bom-senso”. Muito já se escreveu a respeito, e não cabe perder mais tempo apontando o risco da desqualificação de Bolsonaro com a simples alegação de insanidade. O que cabe observar aqui, do ponto de vista da ironia, é como o próprio debate acerca da loucura ou do maquiavelismo, com o qual tanta tinta se gastou, já constitui por si mesmo um traço irônico, e que portanto beneficia diretamente o capitão reformado. O efeito é idêntico ao que já descrevemos: falando ou agindo de maneira absurda e sendo taxado de lunático, temos novamente que ele não quis dizer isso, ou, melhor dizendo, ele não o disse de caso pensado. Mais uma vez, ele não disse o que disse: disse o que não disse, mas o que é isso que não foi dito, não se pode afirmar com certeza. E é dessa incerteza que vive o irônico.

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(Foto: Fátima Meira/Futura Press/Estadão Conteúdo)

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Todo esse mecanismo parece ter um exemplo claro na crise institucional que acompanhamos nos últimos meses, em torno da ameaça do uso das Forças Armadas pelo governo no caso de um processo por crime comum, eleitoral ou de responsabilidade. Em poucas semanas, passamos da apreensão ao tédio pela oscilação constante entre ameaças golpistas e declarações de boas intenções — às vezes unidas com maestria retórica em uma única frase, como a do ministro Eduardo Ramos, que descartava o risco de um golpe alertando a oposição para não “esticar a corda”. O procedimento, involuntariamente irônico, pode ser traduzido nos seguintes termos: há e não há o risco de um golpe, isto é, se nos deixarem fazer tudo o que queremos sem a necessidade de golpe, não haverá golpe, porém se nos impedirem de agir sem golpe, pode ser que haja golpe. Com tal expediente, o governo ganha nos dois casos possíveis da disjuntiva, e ainda se livra da responsabilização por atentar contra a ordem constitucional. Afinal, ninguém disse que haverá um golpe.

Voltando ao capitão, é possível ilustrar ainda melhor o conceito kierkegaardiano de ironia se nos lembrarmos como, ainda na campanha de 2018, sob pretexto de uma facada desferida por um cidadão inimputável, o indivíduo que hoje denominamos presidente deu-se a liberdade de ausentar-se dos debates em que, supunha-se, teria a oportunidade de apresentar seus projetos, visões de mundo, planos — enfim, onde iria se posicionar. Tal posicionamento, entretanto, não é mera cortesia: é parte de uma expectativa consolidada de que alguém que se candidata a um cargo majoritário deverá vir a público se expor. Todavia, considerando que nada nem ninguém de fato o obrigava a comparecer nos debates, surgia a situação irônica: diante da expectativa de que algo seja dito, nada é dito, de modo que temos não um vazio de posicionamento, mas um posicionamento pelo vazio. Ocorre que este não é um vazio inequívoco e categórico, mas um vazio cheio de imagens — e nem sequer estamos falando das imagens enviadas para as nossas tias e tios, mas apenas das imagens como que subconscientemente embutidas neste mesmo processo. A principal delas é a de alguém que não compareceu ao debate não porque não quisesse fazê-lo, mas sim porque foi covardemente golpeado por seus inimigos: o infeliz Adélio Bispo seria apenas um executor, ocultando sob si uma densa e terrível trama urdida pelo comunismo internacional. Com a ausência, portanto, insinua-se o comovente mito do martírio e da perseguição.

(Debate promovido pelo Estado em 2018)

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Transferido para um outro plano — diretamente abordado por Kierkegaard —, o caso é análogo àquele em que a pessoa por quem nos apaixonamos, e que ficou de nos escrever e, um determinado dia, simplesmente não escreve. Os corações experientes farejam um truque antigo, mas o mesmo não sucede com as mentes ingênuas, ou excessivamente excitáveis. Estas se põem em movimento pendular, oscilando entre a acusação de que a pessoa amada age de má-fé, e a autoacusação de que algo de fato aconteceu, e que agimos injustamente ao condenar alguém cujas razões desconhecemos. O desejo nos impele ao segundo polo desse movimento, e nos agarramos a todo e qualquer sinal que o confirme. Ora, os corações experientes sabem muito bem o quanto esta dúvida, se bem sucedida, é um método eficaz de sedução. Devidamente conduzido, com o auxílio de gestos e palavras escassos, mas sugestivos, excita intensamente a fantasia, e o silêncio se torna uma tela vasta para as projeções da pessoa seduzida. O procedimento foi descrito em um dos textos mais famosos de Kierkegaard, O diário do sedutor, parte de seu livro Ou… ou…. Em dinamarquês, forfører, ‘sedutor’, é análogo ao alemão Verführer, com o que voltamos a nosso ponto de partida. [Assim como ‘sedutor’ nos remete ao duco latino, de onde o título de duce, assumido por Mussolini.]

Eis o cruzamento entre ironia e fascismo. Diante de múltiplas verdades e mentiras, em meio a um infinito jogo de espelhos, tornamo-nos suscetíveis à mistificação. Embora em desuso, o termo é simples: trata-se de tornar algo banal em uma coisa obscura, divina ou mágica. Ou, a título de exemplo, trata-se de tornar um chulo capitão de infantaria em uma espécie de mito, detentor de virtudes heroicas: sua vulgaridade sugere a franqueza; sua inépcia, simplicidade; suas polêmicas, bravura e martírio. Como o sedutor silencioso e irônico, no qual projetamos todas as qualidades que desejamos, personagens da laia de Jair Bolsonaro são capazes de catalisar as projeções políticas de seu eleitorado, confundindo-as e dissolvendo-as na sua própria personalidade. Daí a lealdade e a admiração caninas que suscitam em certas pessoas, sobretudo em um cenário político empesteado de mentiras e com o debate reduzido a uma cruzada pela moralidade.

Mas teria alguém assim tão baixo algo a ver com Sócrates, o ilustre filósofo? Depende. Como foi dito, ao não legar nada de próprio punho, a imagem de Sócrates tornou-se dependente de testemunhos de terceiros. Sendo de longe o mais famoso o que nos foi legado por Platão, nem por isso a predileção de Kierkegaard recai sobre ele, mas sim sobre o comediógrafo Aristófanes, que retratou a figura de Sócrates em grande parte como a de um sofista. Ademais, embora a reflexão que apresentamos aqui se remeta à tese que parafraseamos no título, cumpre notar que o próprio Kierkegaard desenvolve uma distinção entre ironia de primeiro e de segundo graus. Enquanto Sócrates corresponderia ao nível primário, pois de fato nada sabe, e assim questiona tudo e todos com que se depara, o estágio seguinte leva tal postura ao paroxismo, tornando o só sei que nada sei em só sei que nada se pode saber. Nesse sentido, o filósofo já tinha em mente não mais o ateniense, mas seus próprios contemporâneos românticos, como Friedrich Schlegel, Karl Solger e outros, que fizeram da ironia, para além de um método crítico, uma verdadeira visão de mundo. Atento para os riscos embutidos por detrás dessa pretensa leveza e desprendimento do mundo, Kierkegaard aprofundaria a problemática ainda em outras obras, como no Ou… ou…, que já citamos. Nele, a figura do irônico se transmuta na figura do esteta, divertido, por certo, mas eticamente abjeto, pois despido de todo e qualquer princípio moral.

Poderíamos, inclusive, como última ilustração, nos valer de um dos fragmentos presentes nesse livro. Nele, Kierkegaard descreve um palhaço aflito para avisar o público de que o teatro está em chamas, mas que com isso provoca os risos estrondosos da plateia. No palco degradado do Brasil contemporâneo, poderíamos imaginar uma cena em que o palhaço não avisasse sobre o incêndio, mas sim ameaçasse ele mesmo tacar fogo no teatro. O público ri, diz que é uma bela piada; às pessoas que se assustam, seus respeitáveis vizinhos da poltrona ao lado asseguram que ele não quer dizer bem isso, que é apenas um número, e que em último caso o teatro conta com uma administração sólida e com uma brigada de incêndio bem treinada. Hoje vemos com que ímpeto o fogo se alastra, e como os bombeiros, por protocolo, cuidam apenas de acudir o público pagante. É todavia de se pensar o quanto o pensamento progressista, ao reduzir todo o teatro a narrativas e jogos de linguagem, não justificou a presença de tais monstros no elenco, que se valem da ausência de princípios claramente positivos para executar suas pantomimas. Seria irônico, por certo; mas já vimos que a ironia consta entre as personagens de nosso drama, e que nem sempre é tão leve e risonha quanto costumamos imaginar.

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Kierkegaard

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Pedro Augusto Pinto

Pedro Augusto Pinto é tradutor e mestre em Cultura e Literatura Russa, com estágio de pesquisa no Instituto de Literatura Mundial Górki da Academia Russa de Ciências, pela FFLCH - USP. É bacharel em História pela mesma instituição, com intercâmbio acadêmico na Universidade Estatal de Moscou e na St. Mary's University College.