Elegia grega arcaica: uma antologia

por Giuliana Ragusa e Rafael Brunhara

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1. O gênero elegíaco e sua terminologia

Elegia Grega Arcaica: uma Antologia, publicado pelas Editoras Ateliê e Mnēma, de autoria de Giuliana Ragusa e Rafael Brunhara, trata do alvorecer do gênero denominado “elegia” no Ocidente, na Grécia arcaica, período da história grega cujo início é colocado no século VIII a.C., e o término, na conclusão das guerras entre gregos e persas, em 479 a.C., cujo último confronto se deu na Batalha de Plateias. A elegia, de que hoje restam fragmentos — alguns com aparência de completude, se não completos de fato —, foi um dos gêneros poéticos mais cultivados na Grécia e em Roma, em cada lugar tendo assumido características bem particulares.

Modernamente, no entanto, por “elegia” entendemos um subgênero da poesia lírica regulado por uma especialização do conteúdo: em geral, poesia de tema triste, amiúde dada à lamentação fúnebre e às reflexões melancólicas. Carlos Drummond de Andrade, por exemplo, em seu poema “Elegia 1938”, mostra um “eu” que pratica atos sem sentido e professa sua inadequação e insignificância diante de um novo concerto social e econômico que se desenhava então, matando individualidades e anulando a possibilidade de qualquer vínculo com o mundo. Ainda que inove no conteúdo, o poeta brasileiro lida com a expectativa do seu leitor quanto a um gênero consagrado — chamar a seu poema “elegia” é antecipar o caráter melancólico, lamentoso e, até mesmo, fúnebre dos versos:

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Entretanto, a elegia tinha na Grécia certa autonomia em relação aos demais gêneros dito “líricos” na nomenclatura moderna[1], e nem sempre foi entendida univocamente no correr dos tempos, tendo passado por diversos desenvolvimentos até chegar à sua feição atual. A complexidade e longevidade da elegia fizeram dela o objeto de interesse de pesquisadores das mais diversas áreas: da teoria poética, da história literária, da crítica filológica e da literatura comparada.

Pode-se afirmar que duas tradições florescem concomitantemente para a explicação do termo “elegia” no Ocidente: uma entende o vocábulo em conotação substantiva, definindo um gênero poético que viria a ser conceituado e especializado no âmbito das letras latinas e desenvolvido na literatura europeia. Paralelamente, outra tradição entende a elegia em sentido adjetivo: é elegíaco o discurso de índole reflexiva, nostálgica e emotiva. Com essa adjetivação, “elegíaco” definirá um tipo específico de elocução, de sentimento ou de situação, e passará a integrar o rol de subgêneros líricos.

Entendido substantivamente, “elegia” identifica um gênero poético autônomo e tradicional, florescente na Grécia arcaica e reconhecível unicamente por critério formal. Neste primeiro momento, define-se pelo metro, qual seja, o dístico elegíaco: um hexâmetro datílico é seguido de verso formado por dois hemistíquios idênticos à primeira metade de um hexâmetro, chamada hemiepes[2]. Este segundo verso, que resulta da junção de dois hemiepes, é dito “pentâmetro”, porque soma cinco unidades métricas. Eis o esquema:

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Por ter no metro seu único critério homogêneo, a elegia grega arcaica levou alguns estudiosos a pensarem que ela antes se caracterizaria como um ritmo específico do que como um gênero propriamente dito. É o ritmo do dístico elegíaco que recolhia uma grande variedade de composições, sejam elas melancólicas ou não. De fato, há muita heterogeneidade temática na elegia. Como afirma Martin L. West, em Studies in Greek elegy and iambus[3], a elegia trata de quase todas as matérias — reflexões ético-morais, didáticas ou eróticas; exortações à guerra ou ao prazer; narrativas sobre o passado mítico distante ou a eventos recentes. Os únicos temas que parecem não ter sido tratados em metro elegíaco seriam as narrativas eróticas de caráter obsceno, reservadas a outro gênero, o jambo; as matérias heroica, didática-sapiencial, cosmogônica, hínica, catalógica e da filosofia natural, elaboradas nos gêneros da poesia hexamétrica.

O dístico elegíaco logo se provou popular, porque, de um lado, sua grande regularidade — uma sucessão de pés métricos predominantemente datílicos — facultava aos poetas recorrerem ao rico manancial de fórmulas e recursos verbais da tradição épica em hexâmetros e, porque, de outro, formava uma pequena e regular unidade estrófica que admitia flexibilidade para a extensão ou omissão de novos versos com facilidade, abrindo-se para o canto ou, ao menos, para o acompanhamento musical, como logo comentaremos.

A palavra grega elegeía (ἐλεγεία) significaria “poema extenso em metro elegíaco” ou simplesmente “gênero elegíaco”. No entanto, esse nome é raro e suscita problemas, pois a sua primeira ocorrência é muito tardia, na era clássica (séculos V-IV a.C.), em Aristóteles (século IV a.C.), na Constituição de Atenas (5, 2):

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Outra ocorrência de elegeía está na História das plantas (9, 15), do filósofo peripatético Teofrasto (IV-III a.C.), que emprega o plural (elegeîai) não só com o sentido de “gênero elegíaco”, mas também para o título de um livro:

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Um termo de atestação mais antiga do que elegeîa para definir a elegia é elegeîon (ἐλεγεῖον). Assim como aquele, este unicamente distingue um elemento formal da métrica da elegia, o dístico elegíaco ou o pentâmetro que o constitui. Porém, elegeîon traz uma diferença em relação a elegeîa, que já era observada pelos antigos, como se pode notar nos Comentários à Arte Gramática de Dionísio Trácio, onde consta uma explicação ao vocábulo (p. 173, 13):

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Mas o termo mais antigo e também mais problemático é élegos (ἔλεγος), usado amiúde para cantos de lamentação com o acompanhamento de um instrumento de sopro, o aulós, cujo som se assemelhava ao de um oboé ou clarinete. Sua primeira ocorrência está em epigrama dedicatório de Equêmbroto, ao vencer a competição aulódica dos Jogos Píticos em 586 a.C., em Delfos; preservou-o em citação o viajante Pausânias (século II d.C.), na sua Descrição da Grécia (X, 7, 56):

O termo élegos tem indubitavelmente aqui o sentido de canção lamentosa, e com o epigrama Pausânias registra que as competições aulódicas nos festivais das cidades gregas consistiam em “canções extremamente melancólicas” (mélē skytrōpótata) e elegias cantadas ao som do aulo. Por serem canções de mau agouro (oúk eúphēmon) relata-nos o antigo viajante que foram abolidas a partir da Segunda Pitíada sediada no famoso santuário délfico de Apolo. Note-se que o epigrama traz a primeira atestação adjetiva do termo “elegia”.

Segundo West[4], elegeîon e elegeîa, por terem na base de sua definição o metro, poderiam apenas ter derivado de élegos, a palavra mais antiga da tríade. Dito isso, a associação entre elegia e canto trenódico é largamente atestada na tradição erudita da antiguidade. O célebre poeta latino do século I a.C., Horácio, no verso 75 de sua Arte poética, faz a associação mais conhecida entre o metro elegíaco e o lamento: “primeiro, o lamento era em versos desiguais unidos”. Por sua vez, o gramático Dídimo (séculos I a.C. — I d.C.)[5] e o filósofo neoplatônico Proclo (século V d.C.) vinculam explicitamente élegos a thrē̂nos, na medida em que ambos os cantos eram usados para louvar os mortos.

Um problema se coloca aí, pois, se élegos adjetiva a canção tida como lamentosa ou fúnebre, e teria originado os termos correntes utilizados pelos gregos para definir substantivamente o gênero da elegia, seria de supor que a matéria de tal gênero fosse, em essência, o lamento fúnebre ou a reflexão melancólica. Entretanto, não há evidência de poemas desse tipo no corpus conservado dos poetas gregos arcaicos e clássicos. West[6] propõe, como solução para o impasse, pensar que os versos elegíacos, antes do século V a.C., não eram conhecidos por um nome específico, senão pelo termo bastante amplo épē (“versos”). A leitura de outro estudioso, Ewen L. Bowie, em “Early Greek elegy, symposium and public festival”[7] vai em outra direção e refuta a tese de West: segundo ele, nada na passagem citada por Pausânias, anteriormente mencionada, permite inferir que havia elegias fúnebres, tampouco que fosse esta uma temática importante ao gênero. Para Bowie, élegos tampouco teria tal especialização de sentido e seria, pelo menos até os anos de 420 a.C., como que sinônimo de elegeîon e elegeía, designando a “canção em geral acompanhada pelo aulo e entoada sobretudo no simpósio”, ou simplesmente “canção acompanhada pelo aulo” O termo elegeîon, ao surgir no século V a.C., teria substituído élegos, passando a ser nome preferencial à acepção substantiva de elegia, uma vez que élegos já adquirira seu sentido adjetivo, designando a canção de lamento e não mais servindo para classificar inequivocamente a poesia composta em dísticos elegíacos.

Deve-se notar que a hipótese de Bowie para os percursos de sentido de élegos fundamenta-se na perspectiva de inferir a ocasião de performance — isto é, o contexto de apresentação — dos poemas elegíacos. Qual seria e qual sua importância?

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2. Elegia e ocasião de performance

Na Grécia arcaica, não era o metro, mas a ocasião de performance de um gênero que o definia. Assim, na poesia mélica — a canção para acompanhamento da lira, em modo solo ou coral —, vemos atestadas espécies como o epitalâmio, voltado ao casamento; o partênio, destinado a coros de moças virgens (parthénoi) em festivais públicos cívico-cultuais; entre outras. O único espaço claramente atestado para a performance do dístico elegíaco — quer dizer, do gênero poético da elegia — é o simpósio da pólis arcaica. Os versos 239-43 da Teognideia seriam disso o testemunho inequívoco, uma vez que o poeta projeta nesta instituição a continuidade de seus versos, o local em que eles serão para sempre cultivados:

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O simpósio é, talvez, a mais difundida e influente instituição a se desenvolver no mundo grego arcaico. Por seu nome entende-se uma reunião altamente ritualizada, composta exclusivamente por homens aristocratas de igual estatuto social. Começando depois do banquete (deípnon) e das libações — a oferenda de líquidos em honra aos deuses —, o sympósion (“beber com”) privilegia o consumo do vinho, os jogos lúdicos e a performance de poesia em gêneros variados, a qual estava no centro da paideía — a formação — do homem grego. Nessa poesia, estavam abarcados desde o debate político até incursões ao mundo erótico, e no simpósio, que é ocasião e tema metapoético dos versos, vemos sobretudo a elegia, o jambo e a mélica.

A partir da leitura dos poemas elegíacos arcaicos que editara, West[8] estabeleceu outras possíveis ocasiões de performance elegíaca, além do simpósio: os momentos imediatamente anteriores da batalha; o trabalho de guarda ou a vigília do poeta, enquanto soldado; o kō̂mos — procissão festiva que tomava lugar logo após o simpósio, no qual os convivas saíam às ruas e prosseguiam seus festejos; um lugar público, como a ágora; um lugar de encontro improvisado, como uma fonte pública; os funerais; as competições aulódicas em festivais. Bowie[9] demonstrou, porém, que é possível reduzir este grupo a duas ocasiões fundamentais: o simpósio (aristocrático ou não) e o festival público. As evidências para as demais aventadas por West são precárias, afirma Bowie[10], e suas interpretações, muito literais. Algumas elegias de Tirteu e Mimnermo, porém, dão mostras de um conteúdo narrativo de maior extensão, o que levou o helenista inglês a admitir também a possibilidade de incluir o festival público como espaço da apresentação desses versos.

As novas elegias de Simônides — comentadas nesta antologia e publicadas em meados de 1990 — parecem ter confirmado a proposta de Bowie. Tais ocasiões, contudo, poderiam ser intercambiáveis; Massimo Vetta, em “Il Simposio”[11], sugeriu que também as elegias de caráter público poderiam transitar com facilidade entre os espaços mais públicos e mais privados, respectivamente, festivais e simpósios, uma sugestão sensata, se levarmos em conta a alta flexibilidade do dístico elegíaco. A teoria, em todo o caso, não é nova, e já havia sido formulada por Richard Reitzenstein, no segundo capítulo da obra Epigramm und Skolion[12]. Nessa teoria, a elegia grega arcaica se configura como o gênero simpótico mais tradicional.

Quando proposta por Reitzenstein, há mais de cem anos, a hipótese indagava a natureza do epigrama da era helenística (séculos IV-I a.C.): se circulava apenas em meio escrito ou se era destinado de fato a um simpósio real. O filólogo alemão decidiu-se pelo simpósio, sugerindo um elo originário entre o epigrama e a elegia arcaica. Mas, uma vez que os estudos da época se concentravam antes em verificar o uso e desenvolvimento de tópicas que integravam a poesia do que o contexto em que ela se desenvolveu, o trabalho de Reitzenstein foi deixado de lado, considerado irrelevante. No entanto, a afirmação adquiriu nova importância quando se passou a considerar que a ocasião de performance dos poemas seria um traço distintivo para a compreensão dos gêneros da poesia grega arcaica.

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3. Escopo e abrangência da Antologia: Tradução e apresentação

Ao apresentar os poemas elegíacos que integrarão a coleção, esta obra aponta para a importância de delinear uma arqueologia dos gêneros poéticos, sobretudo da complexa elegia: a dificuldade em delimitar o que lhe é próprio e a confusão entre seus sentidos adjetivo e substantivo têm sua origem na Grécia, mas persiste insuspeita no andamento da história e na teorização dos gêneros literários. Um exemplo é o testemunho de uma das primeiras edições das Rimas de Camões[13] que, diante da necessidade de definir-la na obra do mestre luso, nota a confusão entre a matéria e os critérios formais da elegia. O critério formal tradicionalmente utilizado para a composição de elegias, no tempo de Camões, não mais era o dístico elegíaco, mas a terza rima, adotada primeiro por Garcilaso de la Vega para compor versos de matéria triste, a que chamou “elegias”. Porém, diz o editor camoniano:

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“Pode-se chamar Elegia qualquer poema de assunto triste; mas já está introduzido que as Elegias devem ser escritas mais em tercetos do que em qualquer outro gênero de composição, e nela também são escritas matérias que não só não são tristes, mas ainda alegres, amorosas, laudatórias, cartas e sátiras. Por isso chamo Elegias a todos os Poemas que meu mestre escreveu em tercetos; e também porque, como foi necessário citá-los em muitos lugares, poderia causar alguma confusão o uso de mais de um nome, podendo-se dar diferentes, de acordo com seus argumentos, que (como se verá) são vários”[14]

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Sabemos que, tendo florescido no período arcaico com ampla variedade temática e unificada sob um critério rítmico dado pelo metro, o dístico elegíaco, a elegia se transformou ao longo dos séculos, até se tornar na lírica moderna o canto exclusivamente lamentoso. A escolha dos poetas traduzidos nesta antologia busca mostrar a elegia em seu florescer, quando essa distinção ainda não era clara e a variedade era a marca do gênero. São poetas que compuseram elegias no período entre os séculos VII e V a.C.: Arquíloco de Paros (c. 680-640 a.C.); Calino de Éfeso (ativo em c. 650 a.C.); Tirteu de Esparta (ativo em c. 640 a.C.); Mimnermo de Cólofon (ativo em c. 630 a.C.); Sólon de Atenas (c. 640-560 a.C.), Anacreonte de Teos (ativo em c. 550 a.C.), Xenófanes de Cólofon (c. 565-470 a.C.), Simônides de Ceos (c. 556-468/64 a.C.), e Ásio de Samos (ativo em c. 550 a.C.). O poeta Teógnis de Mégara é um caso à parte: normalmente situado no início do século VI a.C., suas elegias são de difícil datação e atribuição, por terem sido coligidas em uma coleção que parece ter reunido elegíacos arcaicos e clássicos, a Teognideia. Nestas páginas, traduzimos excertos significativos dessa coleção, sem assinalar o que é de Teógnis ou não, discussão que supera o escopo deste trabalho.

O que aqui se propõe é uma antologia concentrada no gênero de poesia elegíaca — nesse sentido, distinta de outras antologias de poesia grega mais recentemente publicadas. E uma antologia bilíngue, que apresenta não apenas a tradução dos versos — eis outra distinção —, mas comentários e anotações por meio dos quais convida o leitor a considerar este gênero antigo e os seus poetas em suas singularidades, a analisar diacronicamente as suas formas e evoluções no correr dos séculos. Nesse sentido, aproxima-se da antologia dedicada aos poetas do gênero de poesia mélica, Lira grega, de Giuliana Ragusa[15], obra que será por vezes referida no diálogo entre os poetas suscitado por certas composições.

A antologia é dividida em seções que apresentam cada poeta, dispondo em seguida os textos gregos e traduções dos fragmentos indicados pela numeração da edição adotada e os comentários aos versos. Tal edição é a de West, Iambi et elegi Graeci[16], exceto quando especificado o contrário em casos pontuais de certos versos em determinados poemas. Acrescentam-se a esta as edições das novas elegias de Simônides[17] (Sider, 2001, pp. 13-29) e a “Elegia de Teléfo” atribuída a Arquíloco[18]

As traduções seguem de perto o texto grego e resguardam a isostiquia, seguindo as sequências originais dos versos de maneira a reproduzir a relevância e a sequência das imagens semanticamente relevantes presentes no texto grego. Busca, além disso, dentro do permitido pelo vernáculo, reproduzir os jogos de som e sentido presentes nos poemas. Cabe notar que é uma tradução a serviço do comentário histórico-filológico, de maneira a permitir que forme, com o comentário, um conjunto indivisível, uma vez que se esclarecem e se beneficiam mutuamente.

Finalmente, nos trabalhos, as traduções de Arquíloco, Calino, Tirteu, Teógnis e Teognideia, Xenófanes e Ásio foram sobretudo feitas por Rafael Brunhara; as de Mimnermo[19], Sólon[20], Anacreonte e Simônides, por Giuliana Ragusa. Esta antologia, porém, a despeito dessa divisão operacional, é fruto de parceria que foi levada com alegria e grande entrosamento, com recíprocas contribuições entre os dois helenistas em trocas contínuas de leituras e releituras. O resultado é, portanto, produto de entusiasmado empenho de ambos com um projeto que, acreditamos, dá sua contribuição ao conjunto de publicações dedicadas à poesia grega antiga e aos leitores não necessariamente especializados que por ela se interessem, oferecendo-lhes mais ferramentas para aproveitar a leitura da fragmentária elegia grega arcaica.

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(Reprodução)

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Notas:

[1] O termo “lírica”, rigorosamente, identifica entre os antigos o gênero poético da mélica (a canção para performance ao acompanhamento da lira), este termo tendo sido substituído por aquele após os trabalhos de edição dos grandes poetas na Biblioteca de Alexandria (séc. IV-I a.C.). Modernamente, “lírica” é usado de modo abrangente para toda a poesia grega não-hexamétrica da era arcaica. Ver a respeito G.Ragusa, Lira Grega: Antologia de Poesia Arcaica. pp. 12-13.

[2] O hexâmetro é chamado também de épos, porque é o metro por excelência da poesia narrativa. Define-se como a sequência de seis pés de dátilos – essa unidade sendo formada por uma sílaba longa seguida de duas breves (−∪∪), segundo a natureza quantitativa do verso grego, podendo ser substituída pela unidade métrica do espondeu, composto de duas sílabas longas (− −). O sexto pé do hexâmetro é catalético, isto é, privado da última sílaba. O hemiepes (“meio épos”), mais especificamente masculino (− ∪∪ − ∪∪ −), se identifica com a primeira metade de um hexâmetro (épos); daí seu nome. Cada pé dátilo do primeiro hemiepes pode ser substituído igualmente por um espondeu. O mesmo pode ocorrer no segundo hemiepes, porém, mais raramente isso se verifica na elegia do período arcaico.

[3] M.L.West, Studies in Greek Elegy and Iambus, 1974, p.18.

[4] M.L.West, Studies in Greek Elegy and Iambus, 1974, p.4.

[5] Dídimo seria pouco anterior a Horácio. O Etimológico (58, 7), de Órion (século V d.C.) cita seu tratado perdido perì poiētōn (“Sobre os Poetas”) que definira élegos como thrē̂nos. A Biblioteca de Fócio (século IX d.C.) cita o trabalho de Proclo, que também teria observado que a elegia era um gênero usado pelos antigos para elogiar os falecidos (319b, 8-9).

[6] M.L.West, Studies in Greek Elegy and Iambus, 1974, p.7

[7] E.L. Bowie, “Early Greek Elegy, Symposium and Public Festival”, 1986, pp.25-26.

[8] M.L.West, Studies in Greek Elegy and Iambus, 1974, pp.10-13.

[9] E.L. Bowie, “Early Greek Elegy, Symposium and Public Festival”, 1986, pp.13-35.

[10] Idem, p.21.

[11] M. Vetta, “Il Simposio: La Monodia e Il Giambo”, 1992, p.187.

[12] R. Reitzenstein, Epigramm und Skolion, 1893, pp. 45-82.

[13] M.Faria e Souza, Rimas Várias de Luís de Camoens, 1689, p. 1.

[14] Idem, ibidem.

[15] G.Ragusa. Lira Grega. Antologia de Poesia Arcaica, 2013.

[16] M.L.West. Iambi et Elegi Graeci, 1998.

[17] D. Sider, “Fragments 1-22 W2: Text, Apparatus Criticus, and Translation”, pp. 13-29

[18] D.Obbink, “A New Archilochus Poem”, pp.1-9; L. Swift, Archilochus, The Poems.

[19] Os Frs. 9, 13 e 14 têm tradução de Brunhara e retomam trabalhos anteriores com pequenas modificações.

[20] Exceto pelos Frs. 1, 2, 3, 4 e 5, com tradução de Brunhara, que retomam com pequenas modificações trabalhos anteriores.

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