Sobre teias assim: estética literária na literatura negro-africana

Se pensarmos em um legado literário como uma teia, por que a vemos não como uma trama, mas como tediosos pares de opostos? A oposição entre cultura ocidental (ou europeia, for that matter) e cultura africana é empobrecedora na esfera da estética. É o que sugere Adriano Migliavacca, em notas sobre a estética literária na literatura negro-africana.

“Quem crê que a África nada produziu de valioso para a civilização humana e quem crê que tudo que vem da Europa são mentiras colonialistas deveriam se educar minimamente sobre seus bichos-papões.”

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Dois clássicos

“Fugindo a todo e qualquer sensacionalismo, é a matéria homoerótica que caracteriza e distingue dois dos melhores livros lançados neste ano biruta de 2020.” Por Érico Nogueira, uma resenha de Arte Nova (Patuá), de Wladimir Saldanha, e O País das Luzes Flutuantes (Filocalia), de Marco Catalão — duas obras “destinadas à condição de clássicos da literatura em língua portuguesa”.

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Por que ler tragédia grega hoje?

“A tragédia nos vacina contra o artificialismo otimista de boa parte da filosofia”. Se essa forma de terapia trágica parece ser já um motivo suficiente para ler Sófocles, Ésquilo e Eurípides hoje, há ainda mais a ser dito. Um ensaio de Daniel Peixoto Murata sobre a tragédia grega — e sobre por que lê-la hoje.

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Tolentino 80: Memórias

“Se vivo fosse, meu amigo Bruno Tolentino chegaria aos oitent’anos, agora em novembro. O tempo passa e a gente fica nostálgico — se bem que, no meu caso, acho que nasci nostálgico. Dedico esse breve depoimento à memória do meu amigo. Que, não por acaso, é um dos mais importantes, ambiciosos e torrenciais poetas da língua portuguesa, de ontem, de hoje e (principalmente) de amanhã.” Bruno Tolentino, 80: as memórias de Érico Nogueira.

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Rei morto, poema posto

“O presente constantemente produz o seu passado e o seu futuro. Quando lemos uma história literária escrita no século XX, estamos lendo o século XX produzindo outros séculos como passados distintos.”

A partir de dois sonetos monarquistas escritos em português sobre a morte de Luís XVI, Caio Cesar Esteves de Souza como “passado e o futuro são nossas abstrações, frutos do nosso tempo”.

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Em que o autor, de Saulo de Tarso, rapidamente briga com Ferreira Gullar

“Parecerá estranho dizê-lo ante a imagem de luminosidade sobrenatural que envolve a experiência paulina, mas Paulo tinha — por mais excêntrico que seja lembrá-lo — carne, Paulo tinha ossos que reverberassem a queda. Quem for de carne e osso, então, viverá experiência semelhante à do autor. Provavelmente recordar-se-á de ter experimentado alguma reverência ante os livros quando da infância, ou de ter intuído certa aura ao redor de lombadas.”

Um ensaio de Hugo Langone sobre “o processo universal da descoberta: o poeta terá encontrado seu Ananias, terá sua Arábia, seu Tiago e seu Pedro; mas também conhecerá a experiência luminosa e anterior do alto, o chamado de uma luz que em alguma medida o cega, que lhe parece toda independente e que ele carregará consigo e tentará reproduzir.”

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Sobre quando Érico Nogueira esmerilou o porquinho-da-índia

‘O Esmeril de Horácio’ propõe alternativas ao modo de conceber o verso em língua portuguesa, servindo, também, de guia prático de métrica. Por Brunno V. G. Vieira, tradutor e professor de letras clássicas da Unesp, uma resenha do novo livro do Érico Nogueira sobre poesia e versificação em Horácio.

“Esse esmeril é bruto, e remete ao ofício de burilar diamantes como sugere João Batista Toledo Prado na orelha do livro. Sim, o/a leitor/a que se aventurar a seguir Érico, não se esqueça de seu jaleco ou macacão. Com algum empenho para vencer o pesado jargão, Érico nos abre sua caixa de ferramentas, seja indicando como desmonta os versos de Horácio, seja declarando como entende ser o melhor modo de carburá-los em vernáculo.”

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A Peste no De rerum natura (6.1138-286) de Lucrécio – Parte IV

“Na perspectiva de Samuel Taylor Coleridge, talvez Lucrécio esteja naquele seleto grupo dos grandes poetas, ao julgar que no man was ever yet a great poet, without being at the same time a profound philosopher.” Hoje, no Estado da Arte, Alexandre Hasegawa dá continuidade à tradução comentada da descrição dos sinais da morte no DRN de Lucrécio.

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