História

Michel Maffesoli: “O reconhecimento do passado não é conservador ou reacionário, mas sublinha que a vida não existe ex nihilo”

Michel Maffesoli, sociólogo francês, é um dos maiores especialistas na pós-modernidade e uma referência da sociologia dos anos 1990. Professor de Sociologia na Sorbonne, é diretor do Centro de Estudos sobre o Atual e o Cotidiano e do Centro de Pesquisas sobre o Imaginário. Em entrevista exclusiva ao Estado da Arte, conduzida por Rodrigo Coppe, Maffesoli falou sobre o sagrado e a secularização, sobre conservadorismo e reacionarismo, sobre progresso e revolução, sobre o fanatismo, sobre nostalgia e transcendência. Tradução de Rodrigo de Lemos e Rodrigo Coppe.

O fascismo para além das dualidades no pensamento de Renzo De Felice

A partir da obra de Renzo De Felice, Vinícius Müller argumenta que a perspectiva "que obriga que qualquer interpretação sobre o fenômeno histórico do fascismo seja limitada pela cronologia" não é apenas "evitável", como também "perde a sutileza de procurar tanto antes quanto depois o desenvolvimento e a sobrevivência de elementos da matriz fascista". "A questão não está na impossibilidade de eles existirem antes ou continuarem existindo depois, e, sim, na sabedoria de que não podemos permitir, nunca mais, que eles tenham um contexto favorável às combinações que possam potencializá-los." Uma publicação do Estado da Arte em parceria com o projeto Bolsonarismo: O Novo Fascismo Brasileiro, do Labô/PUC-SP.

Desidério Murcho: Comprar e vender ideias

Em plena Segunda Guerra, quando o governo britânico pedia aos seus cidadãos imensos sacrifícios económicos, Orwell ficou chocado com a incongruência de jornais em que os editorialistas davam voz aos pedidos do governo, ao mesmo tempo que publicavam anúncios de casacos de peles, na mesma página. Esta imagem ilustra um problema de fundo que poucas pessoas parecem compreender: o do financiamento da cultura, da ciência, das artes, da filosofia e da informação.

Mentiras de bronze e almas natimortas

Para Marcio Magalhães de Andrade, "há muito mais entre a praça pública e as nossas respectivas vidas e trajetórias". "Ao contrário do que imaginavam os revolucionários de outrora e os de hoje", porém, "mentiras ou meias verdades de bronze não são totens capazes, por si só, de formar novas almas.".

Monumentos: história e memória são diferentes, mas o anacronismo é o mesmo

"O que significa um monumento histórico? Ele representa fielmente um personagem, fato ou momento? Quais as possibilidades e margens de interpretação?" Para Caio Vioto, estas são perguntas importantes, "mas que parecem preocupar pouco aqueles que propõem sua derrubada e se apressam em julgar o passado." Para Caio, "qualquer um que estuda ou pensa a história de maneira séria e científica sabe que o maior 'pecado' do historiador é o anacronismo."

O que fazer com as estátuas da época colonial?

"Destruíram-se estátuas de Lênin — mas a subversão mais sutil e eficaz está no deboche corrosivo dos grafiteiros que transformaram os operários e camponeses robustos nos velhos monumentos comunistas das praças de Sófia, na Bulgária, em super-heróis de quadrinhos, com tinta e spray. Churchill daria um belo Pinguim." O que fazer com as estátuas da época colonial? Para Rodrigo de Lemos, que elas prestem testemunho àquilo que escolhermos.

Estado da Arte/Nexus Instituut: Uma conversa com Rob Riemen

Inaugurando a parceria institucional celebrada entre o Estado da Arte e o Nexus Instituut, uma conversa com Rob Riemen. sobre cultura, sobre educação moral, sobre a tradição humanista na Europa; sobre Thomas Mann e Albert Camus, sobre nosso tempo, sobre o fascismo, sobre o fascismo em nosso tempo, sobre os livros que Rob Riemen recomenda para que possamos fazer sentido disso tudo.