A música das canções de Dylan e Cohen
Não posso deixar de registrar minha tristeza com a morte de Leonard Cohen. Ao lado de Bob Dylan, talvez Cohen seja o compositor pop que mais me fascina.
Não posso deixar de registrar minha tristeza com a morte de Leonard Cohen. Ao lado de Bob Dylan, talvez Cohen seja o compositor pop que mais me fascina.
Um importante historiador aqui de Porto Alegre, Voltaire Schilling, também um leitor feroz, me disse, certa feita, "os leitores são uma espécie de confraria mundial..."
O conto – assim como as opiniões nuançadas, as amizades apartidárias, a lógica aristotélica, o uso da vírgula no vocativo... – é uma das vítimas levianamente sacrificadas em certos altares do gosto contemporâneo.
Quando manifestei em uma rede social meu desgosto com o prêmio Nobel de Literatura dado a Bob Dylan, um amigo americano, que me sabe classicista, comentou: “Se os antigos gregos não distinguiam música de poesia, por que nós deveríamos?”
Quantas vezes, me pergunto, um poema precisará ser lido antes de começar a revelar seus secretos encantos?

Harold Bloom, em seu livro sobre o cânone ocidental, descreve Goethe como uma das vozes mais potentes da nossa literatura. De fato, poucos gênios literários tiveram uma vida tão produtiva.
Quando se é professor, não poucas vezes os alunos aparecem com perguntas que nem séculos de magistério seriam capazes de responder.
Assim como o Universo, naquele infinitamente citável poema de T.S. Eliot, a tragédia de Romeu e Julieta também acaba em um gemido, mas, para que esse gemido traga consigo a máxima concentração de desalento, a peça tem de começar com uma explosão.

Aos 82 anos, com You want it darker, Leonard Cohen não parece disposto a abrir mão de sua busca por gravidade, desenvolvida ao longo dos cinquenta anos de carreira como músico, e desde antes como escritor: uma busca sobretudo estética.