Por que ler Hannah Arendt hoje?

por Nádia Junqueira Ribeiro e Adriano Correia

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O primeiro encontro entre Richard J. Bernstein e Hannah Arendt aconteceu em 1972, no Haverford College, na Pensilvânia. Bernstein tinha 40 anos e Arendt 66. Ele era professor daquela instituição, enquanto ela estava ali para fazer uma palestra. Ela já era uma pensadora consagrada, professora da New School For Social Research, mundialmente conhecida por suas obras, como Eichmann em Jerusalém, Sobre a Revolução, A Condição Humana e Origens do Totalitarismo, além de dezenas de artigos e ensaios. Bernstein havia acabado de publicar seu segundo livro, Praxis and action: contemporary philosophies of human activity. Seria natural que Bernstein estivesse interessado no trabalho de Arendt, em conhecê-la pessoalmente e lhe abordasse, ao final da palestra, dizendo que admirava seu trabalho. O que aconteceu foi justamente o contrário: Arendt foi quem quis conhecer Bernstein porque havia acabado de ler este seu livro.[*].

A despeito do tema tão próximo de A condição humana e de a obra ser mencionada na bibliografia do livro, no corpo do texto ela é mencionada apenas no prefácio, em uma nota de rodapé, como “uma ambiciosa tentativa de articular e reviver o significado aristotélico da ação política livre” (BERNSTEIN, 1971, p. xiv). Arendt se interessou pelo livro e sublinhou extensivamente a introdução e a primeira parte, intitulada “Praxis: Marx and the Hegelian background”, como se pode conferir no exemplar de sua biblioteca pessoal, abrigada no Bard College. Ela também informa a ele em uma carta que utiliza seu livro em um seminário em que discute Marx, “pelo frescor e pela originalidade de seu pensamento” (carta de 31/10/1972). Bernstein destacou em uma entrevista recente que ela poderia se incomodar por um livro sobre a práxis não discutir A condição humana, “mas essa não foi sua atitude. Ela percebeu que eu estava tentando fazer algo novo e original. Ela foi intelectualmente generosa em relação a mim” (NOVAES, 2016, p. 186).

Depois daquela palestra, Arendt e Bernstein saíram para jantar e ficaram conversando das oito da noite às duas da manhã. Ou melhor, discutindo e discordando um do outro. Bernstein achava que Arendt estava errada sobre sua abordagem de Hegel e Marx. Ainda em 1972, Arendt agiria em favor da contratação de Bernstein pela New School, e julgou que precisamente a originalidade da obra dele foi decisiva para que ele não fosse contratado naquele momento — apenas em 1989 Bernstein seria contratado pela New School, onde permanece atuando até hoje. Ela ainda o recomendou entusiasticamente à Universidade de Essex, mencionando Praxis and action como “uma contribuição excepcional e original à teoria política e à história das ideias” (carta de 11/03/1974). Bernstein diz que aquele encontro na Pensilvânia marcou o início da amizade entre os dois, que duraria três anos, até a morte de Arendt, em 1975. Mesmo depois de sua morte, a presença de Arendt sempre foi viva para Bernstein.

Este primeiro encontro diz muito do trabalho de Bernstein em relação ao pensamento de Hannah Arendt: um constante e cuidadoso diálogo, comprometido com o pensamento e a trajetória da autora, mas que não se furta em ser crítico ou em discordar dela. Se Arendt se encantou primeiro pela originalidade do pensamento de Bernstein, podemos dizer que, em seguida, Bernstein foi quem se admirou pela independência de pensamento de Arendt. Para ele, Arendt sempre se posicionou como uma pensadora “outsider” e admira Bernstein que ela nunca tenha se adequado a certas categorias e disciplinas consideradas “mainstream”. Este traço de Arendt fazia dela uma pensadora com extraordinária capacidade de colocar as questões que deveriam ser feitas — mas que nem todos estavam dispostos a enfrentar — recusando “categorias convencionais, classificações e clichês” (BERNSTEIN, 1996, p. 03). Importante destacar a genuína habilidade de Bernstein para reconhecer o potencial do pensamento de Arendt, sem deixar de enfrentar suas contradições, mas empreendendo uma crítica capaz de deslocar a perspectiva para outras obras da autora, outros momentos de seu trabalho e também de sua vida. Ele foi um dos primeiros estudiosos — e ainda poucos — que se dedicou a compreender a obra de Arendt à luz da sua experiência como judia e de suas reflexões sobre os temas judaicos, frequentemente marginalizados. Esta forma de ler e escrever sobre Arendt torna suas críticas altamente relevantes para os estudos da obra da autora e também faz de Bernstein um dos mais generosos críticos de seu pensamento.

Podemos identificar o registro da primeira intervenção de Richard J. Bernstein com o intuito de apontar pontos-cegos no pensamento arendtiano em 1972. Ele foi convidado para o congresso sobre a obra de Hannah Arendt, em Toronto, quando ela não ofereceu respostas convincentes às interpelações acerca da distinção entre o social e o político, recorrente em sua obra. Na transcrição do debate, do qual participaram Mary McCarthy, Hans Jonas, Albrecht Wellmer, C. B. Macpherson, dentre outros, aparece uma intervenção de Bernstein em que ele observa que apesar de que possamos apreciar a distinção entre o social e o político, “é uma questão de se nos dias de hoje podemos dissociar ou separar consistentemente o social e o político” (ARENDT, 2010, p. 139). A intervenção de Bernstein reverbera uma questão anterior de Mary McCarthy e Arendt se permite indicar apenas que as questões sociais estão entre as que podem ser administradas e não estariam sujeitas ao debate público — “que elas devam estar sujeitas a debate parece-me um embuste e um aborrecimento” (ARENDT, 2010, p. 140). Bernstein não ficou satisfeito com a resposta e disse que ninguém ali ficou. Que esta questão certamente é muito mais complexa o próprio Bernstein explicita em seu texto Hannah Arendt: “Rethinking the Social and The Political”, em Philosophical Profiles.

Catorze anos depois, Bernstein concluiu, neste texto, que quanto mais se investigava acerca da distinção entre o social e o político, mais ela revelava profundas tensões. O filósofo, contudo, não a rejeitou, como outros críticos, mas se propôs a repensá-la por acreditar que tem importantes consequências teóricas e políticas para o nosso contexto político e social. A distinção não pode ser considerada insustentável, segundo Bernstein, porque se relaciona diretamente com a compreensão de Arendt acerca da política e da democracia participativa. A distinção aponta para a forma radicalmente diferente de Arendt pensar a política: em que a liberdade pública é inegociável e não pode existir sem a participação política. Esta noção positiva de liberdade implica falar, agir e debater com nossos pares na esfera pública. Reconhecer que nossos tempos conspiram para que estes elementos não floresçam é reconhecer a fragilidade de rejeitar completamente esta distinção arendtiana.

Na conferência no Canadá, Bernstein interveio com uma palestra intitulada “The ambiguities of theory and practice”, que acabou por ser publicada como capítulo de livro apenas em 1977 — dois anos antes da publicação do livro com as intervenções do congresso, sem a participação de Bernstein (HILL, 1977). Em seu texto Bernstein continua a conversa inicial com Arendt sobre seu livro Praxis & action indicando o quanto a obra de Arendt é antagônica a uma compreensão de teoria política de inspiração positivista que estabelece uma simetria entre explicação e predição. Bernstein destaca o interesse de Arendt pela compreensão da ação como estreitamente vinculada ao começar e à liberdade — enquanto distinta do comportamento, portanto. Precisamente porque a ação introduz genuína novidade no mundo, para sua compreensão é necessário “imaginação, coragem e uma disposição para se engajar no pensamento independente” (BERNSTEIN, 1977, p. 150). Com efeito, a ação possui uma ambiguidade constitutiva que desafia nossa capacidade de compreender, uma vez que “não há como erradicar ou diminuir a ambiguidade da ação sem eliminar a própria ação” (BERNSTEIN, 1977, p. 151).

O trabalho filosófico de Arendt passou a se tornar conhecido a partir da publicação de Origens do totalitarismo, em 1951. Mas os 20 anos que antecedem a publicação desta primeira grande obra ficaram à margem do foco de trabalho de estudiosos do pensamento de Arendt em detrimento das obras que viriam a partir dali. Em 1978, Ron H. Feldman reuniu os principais artigos de Arendt sobre temas judaicos e sionistas que, até então, eram pouco conhecidos e estudados. Poucos anos mais tarde, em 1982, Elizabeth Young-Bruehl publica a primeira biografia de Arendt, que oferece ao público a possibilidade de acessar detalhes da vida de Arendt, pouco conhecidos até então. Este trabalho evidencia a centralidade da preocupação de Arendt com o destino do povo judeu e seu engajamento político em defesa dele nesses anos que antecedem a publicação de Origens. Na década de 1990, são publicadas as cartas de Arendt com seu amigo e orientador, Karl Jaspers e com sua amiga Mary McCarthy e estes materiais passam a oferecer a possibilidade de compreender o pensamento de Hannah Arendt à luz das suas experiências enquanto judia. Ainda que todos esses trabalhos tenham vindo à tona na década de 1990 e tenha havido um crescente interesse na relação entre a vida e a obra de Hannah Arendt, as preocupações da pensadora com as questões judaicas pareciam se manter à margem dos estudos sobre seu pensamento. Não para Bernstein, que, em 1996, publica o livro Hannah Arendt and the Jewish question, uma obra integralmente voltada a compreender o pensamento de Arendt à luz das suas reflexões sobre a questão judaica e a relacionar seus conceitos filosóficos estabelecidos nas obras mais conhecidas às noções forjadas nas reflexões sobre os temas judaicos.

Este trabalho parte da sua argumentação de que uma divisão entre as preocupações de Arendt com as questões judaicas e o restante de seu trabalho é insustentável. Ele mostra, nesta obra, que se voltar para esses temas é algo “essencial para a compreensão dos temas mais característicos de seu pensamento” (BERNSTEIN, 1996, p. 09). Bernstein desloca, assim, uma perspectiva de compreensão da distinção entre o social e o político a partir das noções de pária e parvenu, desenvolvidas por Arendt (apropriadas por ela de Bernard Lazare). Ele também explicita, a partir das reflexões sobre a história moderna dos judeus e das reflexões e atuações de Arendt sobre a política sionista, como ela desenvolve uma noção de política “que vem de baixo” e que demanda responsabilidade.

Bernstein traça um outro caminho para a compreensão dos conceitos de ação, liberdade, espaço público e política, tematizados em obras tão conhecidas como A Condição Humana e Origens do Totalitarismo, apresentando ao leitor que estes conceitos emergem dos estudos de Arendt sobre o totalitarismo nazista. A defesa arendtiana dos conselhos, tão conhecida em Sobre a Revolução, também emerge, demonstra Bernstein, da temática judaica. Até o final de sua vida Arendt esteve mobilizada por estes temas, sem nos esquecermos que suas reflexões mais desenvolvidas sobre o mal e o juízo têm início no julgamento de Eichmann.

O diálogo crítico de Bernstein com a obra de Arendt foi se intensificando ao longo das últimas décadas, tendo ele se tornado um dos intérpretes mais agudos do pensamento arendtiano. Em seu diálogo crítico com Arendt, Bernstein se aproxima da concepção de teoria política explicitada por ela, ao mesmo tempo em que indica que talvez Arendt, em seu rechaço por uma teoria política que busque antes de tudo identificar padrões e regularidades que possam orientar a ação futura, como se o futuro já estivesse implícito no presente, acaba por conceder pouca relevância à importância da compreensão do mundo para iluminar as possibilidades que se abrem para os agentes. Para Bernstein Arendt estaria muito mais próxima do que imaginava de uma concepção de teoria como crítica tal como aparece na obra de Marx, fundada em uma crítica implacável de todas as condições existentes. O próprio Marx seria decisivo para matizar a distinção entre o social e o político, tão central à obra arendtiana, e chamar atenção para o fato de que não se pode alcançar uma genuína liberdade política sem que se enfrente a questão social da pobreza e da miséria, algo de que a teoria política não deveria evadir (Cf. BERNSTEIN, 1977, p. 157).

Por que ler Arendt hoje? é uma síntese do profundo conhecimento de Bernstein sobre o trabalho e a vida de Arendt, da sua capacidade de identificar extraordinária atualidade em sua teoria e em diversas reflexões que ela fez há tantos anos e também do seu posicionamento crítico à pensadora. Neste livro, Bernstein acusa Arendt de ter feito críticas “incendiárias” aos conselhos judaicos. Ele se refere, especificamente, à afirmação de Arendt em Eichmann em Jerusalém sobre esses conselhos, quando diz que “a verdade completa era que se o povo judeu realmente estivesse desorganizado e sem liderança haveria caos e imensa miséria, mas o número total de vítimas dificilmente teria sido entre quatro e meio e seis milhões de pessoas”. Bernstein julgou Arendt irresponsável ao fazer essa afirmação, porque ninguém poderia dizer com certeza quantos judeus teriam sido assassinados caso os conselhos judaicos nunca tivessem existido.

Bernstein também acredita que Arendt errou no artigo “Reflexões sobre Little Rock” (2008 [1959]), quando se opôs fortemente à imposição federal da integração racial nas escolas públicas e, para isso, impôs suas categorias elaboradas em A condição humana, estabelecendo rigidamente a distinção entre o social e o político, o público e o privado. Para Bernstein, Arendt falhou em compreender as consequências desastrosas da hostil discriminação política, social e econômica dos negros nos EUA.

Um dos temas aos quais ele retornou várias vezes foi a questão do mal na obra de Arendt. Já no texto de 1977 ele destaca que Eichmann em Jerusalém testemunha a convicção teórica de Arendt de que temos de encontrar novas categorias para compreender o que significam as ações e o tipo de criminoso que era Eichmann, em vez de buscar encaixá-lo em padrões convencionais de julgamento (BERNSTEIN, 1977, p. 151). Também aqui seu pensamento independente se traduz na convicção de que a compreensão provém antes da identificação do que é singular e desafiador em um determinado fenômeno ou acontecimento que da sua assimilação a um conjunto de eventos análogos com os quais compartilharia traços comuns ou de afinidade.

Em um texto constante em um livro em homenagem a Arendt por ocasião da rememoração dos 20 anos de sua morte, Bernstein retoma o tema do mal e indica que Arendt estava errada ao indicar em 1945 que “o problema do mal será a questão fundamental da vida intelectual da Europa no pós-guerra”, embora certamente tenha se tornado uma questão fundamental à obra dela desde então. Ele extrai esta referência de uma resenha de Arendt para a obra The Devil’s share, de Denis de Rougemont, intitulada “Pesadelo e fuga”. Antes da frase citada por Bernstein, Arendt afirmara: “a realidade é que ‘os nazistas são homens como nós’; o pesadelo é que eles mostraram, demonstraram para além de qualquer dúvida, o que o homem é capaz de fazer” (ARENDT, 2008, pp. 162-163). Em um texto iluminador (1997) Bernstein parte de uma pista dada por Arendt em uma carta a Gershom Scholem, na qual afirma que não pensa mais que o mal possa ser radical, como indicou em Origens do totalitarismo, mas que teria mudado de ideia e que após o caso Eichmann passou a julgar que

o mal nunca é “radical”, que ele é apenas extremo e não possui profundidade nem qualquer dimensão demoníaca. Ele pode proliferar e devastar o mundo inteiro precisamente porque se espalha como fungo sobre a superfície. Ele desafia o pensamento, como eu disse, porque o pensamento procura alcançar alguma profundidade, ir às raízes, e, no momento em que lida com o mal, ele se frustra porque não há nada. Isto é “banalidade” (ARENDT, 2016, p. 763).

Posteriormente, na obra Radical Evil (2002), Bernstein pôde explorar mais detidamente estes desdobramentos na obra de Arendt, inclusive no que diz respeito à sua proximidade e à sua distância da concepção kantiana de mal radical, mas neste capítulo sobre se ela teria mudado de ideia ele foca sua atenção sobre a hipótese de que, a despeito da declaração enfática de Arendt, a concepção de mal radical como o tornar supérfluos os seres humanos não contradiria a noção de banalidade do mal compreendida como irreflexão não monstruosa e superficialidade devastadora (Cf. BERNSTEIN, 1997, p. 142-143). No espírito daquele primeiro diálogo no Haverford College, Bernstein seguiu dialogando com Arendt a contrapelo, muitas vezes aproximando-se dela por aquilo de que ela julgava estar distante.

Em dois textos mais recentes, de 2010, ele retorna à questão do mal, em um deles se perguntando se as reflexões de Arendt sobre o mal ainda são relevantes e em outro indicando que a pergunta sobre se o mal é banal é enganadora. No primeiro texto, ele destaca a importância do alerta de Arendt sobre os riscos de se introduzir absolutos em política, aponta que a compreensão do mal radical como o tornar os seres humanos supérfluos é decisiva para os problemas contemporâneos relativos à condição dos apátridas, dos refugiados e dos imigrantes e indica que suas “reflexões sobre a banalidade do mal ajuda-nos a compreender o mal e a responsabilidade em um mundo globalizado burocrático” (BERNSTEIN, 2010a, p. 294).

No segundo texto, observa que a pergunta sobre se o mal é banal supõe falsamente que Arendt defende uma teoria geral sobre a natureza do mal, ignora as idas e vindas de sua longa reflexão sobre o mal e obscurece a distinção entre o perpetrador e seus feitos. Assinala então que a banalidade do mal se refere a algo “que nasce na sarjeta, que não tem profundidade, que é raso; a algo que desafia o pensamento; algo que tem a ver com o modo como ‘pessoas comuns’ podem cometer atos maus sem serem monstros viciosos ou mesmo ter intenções más” (BERNSTEIN, 2010b, p. 135). Para ele, não podemos ignorar ainda hoje as manifestações de um mal devastador que se espraia como um fungo sobre a superfície. Nesta obra que ora apresentamos, esta convicção é claramente reiterada.

Recentemente, em 2018, em seu discurso de recepção do título de Doutor honoris causa na Universidade Autónoma Metropolitana, no México, ele se refere a Arendt numerosas vezes e indica a importância da obra dela para seu percurso filosófico. Tratando de sua própria experiência com a filosofia, ele afirma que admira os pensadores que perseguem um mesmo projeto ao longo de suas vidas, mas que “como Hannah Arendt, quero compreender o mundo à minha volta” (BERNSTEIN, 2018, p. 25) e “como Arendt, também acredito que na escuridão dos tempos é essencial manter viva a iluminação fornecida por pessoas (no passado e no presente) que resistem ao engodo, à mentira, à violência, ao mal e à escuridão — aqueles que se recusam a aceitar o mundo como é e continuam a combater a injustiça social e a aliviar as muitas formas de miséria humana” (BERNSTEIN, 2018, p. 28). Pensamos que Arendt é uma dessas pessoas — assim como Bernstein — e que este livro é prova cabal disto.

Para nós, traduzir esta primeira obra de Richard J. Bernstein em língua portuguesa é uma homenagem à vitalidade de sua contribuição à filosofia contemporânea e um testemunho de nossa gratidão por podermos ter contado com sua interlocução em momentos decisivos de nosso diálogo com a obra de Hannah Arendt e por ter generosamente nos acolhido na New School.

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Arendt, 1949 (Fred Stein Archive/Getty Images)

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Nota:

[*] Bernstein relata esta estória em diversas ocasiões, entre elas na entrevista a Adriana Novaes para os Cadernos de Filosofia Alemã (2016).

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Referências bibliográficas

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Esta é a apresentação dos tradutores à edição brasileira de Por que ler Hannah Arendt hoje, de Richard J. Bernstein. Um lançamento da Editora Forense.

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(Reprodução)

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