O naufrágio dos fotogramas e o manto de plumas dos Mundurukus

“No Brasil, tão deficiente de sua memória, forçoso é despertar.”

Em tempos de esquecimento obrigatório imposto à Cinemateca, uma tragédia cultural tão grande exige coragem proporcional para enfrentá-lo. Com exclusividade ao Estado da Arte, com a devida grandeza, o cineasta Júlio Bressane insiste na memória, na preservação de nosso patrimônio — contra a corrente de nosso naufrágio.

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Sérgio Sá Leitão e Miguel Forlin: um bate-papo sobre a 1ª Mostra Internacional de Cinema Virtual de São Paulo

De 01 a 30 de setembro, na plataforma Cultura em Casa, acontece a 1ª Mostra Internacional de Cinema Virtual de São Paulo, uma iniciativa da Secretaria de Cultura e Economia Criativa e da Secretaria de Relações Internacionais. Durante um mês, o público pode assistir, gratuitamente e sem sair de casa, a produções dos mais diversos países e gêneros. Na última sexta-feira, Sérgio Sá Leitão, Secretário de Cultura e Economia Criativa de São Paulo, e Miguel Forlin, coeditor de Cinema do Estado da Arte, conversaram sobre esse projeto. No bate-papo, gravado para o podcast do Governo do Estado de São Paulo, foram abordadas as principais características do evento e a sua importância em tempos de pandemia. Confira a conversa e todos os devidos links no post.

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FOCO: Morrer e viver em Las Vegas – Showgirls, de Paul Verhoeven

“Na estrada para Las Vegas, até o homem que dá carona tem o penteado de Elvis Presley. Será inevitável aos que pisam na cidade acabarem assumindo seus traços, tornando-se parecidos com ela? Em Showgirls (1995), testemunhamos tal processo de metamorfose acontecer com a protagonista. Desprovida de quaisquer raízes, sem amigos nem família, sempre evasiva quando lhe perguntam de onde vem, a aspirante a dançarina Nomi Malone aterrissa em Las Vegas como uma tela em branco à espera de ser utilizada.”

Por Matheus Cartaxo, um ensaio sobre Showgirls, de Paul Verhoeven — sobre morrer e viver em Las Vegas. Uma parceria com a FOCO – Revista de Cinema.

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Viagem a Tóquio: uma leitura heideggeriana de Encontros e Desencontros

“A bem da verdade, a viagem que Bob e Charlotte empreendem à capital japonesa pode, ela mesma, ser interpretada como uma metáfora dramática do que acontece quando nos desviamos da decadência do cotidiano, de um modo de ser inautêntico: quando estamos angustiados, vamos para Tóquio — aquele lugar diametralmente oposto ao que vivemos e onde somos, em que nada é familiar e no qual a palavra não é útil.” Um ensaio de Juliana Fonseca Pontes sobre Encontros e Desencontros.

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Pandemia, isolamento e o poder da arte de ficção

“Quantas histórias de amor não acabaram tragicamente por causa do coronavírus? Quantos aspectos de A Peste, do Camus, não são vistos diariamente no nosso comportamento e no comportamento alheio? Como não entender completamente o tédio e o pavor que o isolamento origina nos personagens bergmanianos? Ou as tensões que o convívio fechado entre diferentes pessoas proporciona? E como não enxergar, de um jeito apocalíptico, a realidade em que nos vemos inseridos, com as incontáveis mortes, a crise econômica, os milhões de desempregados e as exigências da subsistência batendo à porta?
Algumas dessas histórias foram contadas por artistas que as viveram. O mesmo pode ser dito de pessoas que, em determinado momento histórico, as leram e viram. Hoje, podemos dizer que também fazemos parte desse grupo.”

Pandemia, isolamento e o poder da arte de ficção. Por Miguel Forlin.

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‘La folie’, o acaso e o divino em Éric Rohmer

“Quase como uma teologia, mais do que uma filosofia, as histórias do amor em Rohmer se rebobinam entre personagens, em geral jovens estagnados com algum tipo de insatisfação e que buscam, pela linguagem e pelo arroubo, uma saída para seus dramas íntimos, tantas vezes temporários e até efêmeros. Poderíamos chamar de “dramas existenciais”, mas o termo soa inadequado para Rohmer. A hipótese aqui levantada é a de que o arroubo (“la folie”) responde a desolações cotidianas — de ordem amorosa ou não — ainda que ao decorrer da história tudo se desmanche, que as experiências outrora prazerosas — que criaram alguma expectativa e uma euforia — deixem de fazer sentido porque já não mais pertencem à maior de todas as verdades: a do acaso, que, como uma entidade divina ou sobrenatural, intervém — algo ao mesmo tempo tirado e subvertido da tragédia antiga.”

‘La folie’, o acaso e o divino em Éric Rohmer. Por Thiago Blumenthal.

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Você já viu esse filme

O mais recente filme de Ken Loach aborda a precarização do trabalho e os efeitos disso na vida de uma família. ‘Você Não Estava Aqui’ (2019) é ficção, mas parece um documentário pré-coronavírus: estão lá o protagonista que faz entregas rápidas, os idosos e a mediação da tecnologia. Você já viu esse filme. Um ensaio de Déborah de Paula Souza.

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