Por que o capitalismo odeia os intelectuais?

Para Tocqueville, a democracia de livre mercado convidaria todos ao banquete do bem-estar, mas a participação efetiva de cada um na sociedade do consumo e do conforto raramente estaria à altura das expectativas geradas pelo igualitarismo, e a cólera da injustiça só se tornaria mais aguda. Ora, não apenas o intelectual não contribui em muito a essa festa; seu papel por excelência é o de tomar distância, de estudar as ausências nas listas de convidados e de mostrar que alguns pratos estão requentados. Em suma, sua postura, mesmo quando distingue méritos na comilança, é de superioridade crítica. E de superioridade crítica quanto ao que as massas democráticas mais desejam, mesmo que ele o faça em favor delas.

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A warburguiana historiografia da arte de José Emilio Burucúa

Em suas aulas — seja o assunto a história da arte, a história da cultura, a literatura do Renascimento —, Burucúa combina o rigor historiográfico com uma extraordinária capacidade para estabelecer séries, encontrar parentescos e recorrências entre fenômenos e manifestações artísticas, de uma forma na qual se percebe o rastro e as impressões de Aby Warburg.

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O cinema de Joaquim Pedro – Parte 2 Macunaíma, que o Brasil engoliu

A primeira e, talvez, principal inventividade de Joaquim Pedro ao adaptar o livro, foi entender que o seu formato de rapsódia permitia-lhe desenvolver esquetes a partir de um tema central, com variações e abrindo a possibilidade narrativa de comentar de forma crítica o livro e a própria abordagem cinematográfica.

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